quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Querida Querubim-Colagem

Collage-M.Paumarch-www.llibertatatrebill.blogspot.com

Combinar o trabalho diário com o agito que ferve,largos desejos e limitada capacidade de realizá-los,compromisso e liberdade,fazer e ócio,entusiasmo e tédio,construir e desconstruir,liberdade em segurança.O amor confuso entre entrega e defesa,confiança e dúvida,lucidez e loucura,perguntas e respostas,valor.Penso demais ,amo demais,crio demais em meu over mundo.
Canso.Canso demais.Como se sempre fosse o último dia de Carnaval.É a vida que amo tanto.Este viver que me esgota.Cumpro as obrigações e sei que com alto custo,a medida do meu preço.Sou cara porque sei o valor do ócio,do tempo aéreo da inspiração,da energia gasta para ficar no mundo da lua.Reservo para o meu desfrute as madrugadas depois pago o preço das manhãs esticadas em sono culpado,a pressa para zerar as contas.
O cansaço da ciranda de desejos.Entendo Buda só não consigo alcançá-lo.
Sou racional,base do comportamento que me distingue como exemplar.E louca...de lírico otimismo e espontaneidade ,me movo com a energia de que tudo dá certo ao fim.Vou sem planos,acesa com o desejo de sucesso em busca do efeito pretendido.Sucesso que tem a ver com o
destino sem controle a favor da novidade e encantamento.Sucesso que tem a ver com tesão.Tesão de ver o resultado bem ao gosto de minhas férteis exigências.É este processo que pago com os meus tostões,meu dinheirinho dos alfinetes,meu investimento pessoal na caixinha da Dona Baratinha.É na sinceridade do instante transbordante em vibrações insanas e coerentes
que seduzo e contagio como consequencia da ação palpitante.Que delícia quando percebo e sinto que muitos querem "palpitar" comigo,compartilhar desta orgia do fruir sensível do intelecto,da sensualidade do prazer satisfeito.Neste instante somos,eu e você,sem medidas,só somos.Nada importa,acontece a intimidade do dar-se.Eu com esta veloz e transparente escrita,você com seus olhos ávidos de algo que lhe tangencie a alma.Palavras ventiladas,entre nós passa o vento e sem culpa dançamos nus pelas pautas da tela.
E vou me fazendo assim.Nem sei como pode.Enquanto minha nuca se dobra a outras versões estáticas do viver,flexível a ouvir,fingir que sou loira e não penso,opinar só quando solicitada mesmo que nunca,submetida com a cabeça oscilante no ponteiro do sim, muito obrigada digo ,mesmo na degustação de sapos.A sobrevivência faz-se assim,hipócrita.E lamento na frágil voz de querubim,inaudível ,sumida ante a expressão ruidosa que enlouquece o mundo.
E daí escrevo,palavras que saem à luz,antes soterradas entre o coração e os pulmões,escoradas nas vértebras heróicas e cansadas.Minha coluna convicta,rígida,inflexível aos embates que ferem a minha natureza profunda não se verga aos discursos que pretendem influenciar o tom da minha interpretação da vida.Escrevo o que meus pais diriam para guardar só para mim ,educada a preservar a "moral e os bons costumes",menina de boa família,filha de gente honesta .Resulto
dos que estudam,trabalham ,são do bem e constroem o país.E escrevo.E pinto.E bordo.E decoro casas.E leio a vida com olhos iluminados.
A semente generosa que brota de mim agora é amor lúcido que purifica e arrebata porque somos acima de tudo semelhantes,loucos para amar sem medo,sem reservas,alertas para não perder o desfrute do paraíso neste planeta Terra.
A linguagem de fragmentos é honesta,fraturada pelas dores,contudo leve,sobre humana.Voz que teima em não se esconder.Afinal o mundo este outro mundo que não o meu,talvez nosso,é indiferente às histórias de amor.E,aos moralistas intolerantes,presume-se que eu escrevo ficção,invento ondas,me obscureço em fantasias de sexo e libertinagem.Deixa pensar.Deixa passar.Todo santo dia percebo um brilho novo em mim ,liberta do jogo das aparências,cada vez mais,o figurino é a nudez transformista em virtude do tempo que passa e altera formas,espaços,tudo.
Este mundo que escorre em tintas dos jornais matinais se revela em ruínas ,falido.Alguns,muitos entre todos,se acham importantes em sua funções de tráfico de influências,drogas,mentiras.
A bomba da ganância e presunção em estardalhaço mortal enquanto a festa continua destemida,energética ,apressada em direção ao derradeiro fim.Fim de um sistema que se invalida pelo astronômico crescimento do plástico,do assombro em dinheiro virtual -será que existe o lastro,o ouro alquímico?
Apaga a luz!-quero brincar de escuro.
Quero a vida larga.Sair ilesa e perfumada desta delirante violência que aturde a perplexa existência neste pujante caos de seres dilacerados,infiéis com sua própria natureza.
O intenso cotidiano transborda no show da artilharia periférica.Besouros despencam do céu.No poder ninguém mais rói as unhas de aflição nem cora de vergonha..
Eu não sou de lá mas este lá me atropela dentro da minha casa com o som alto que chega das ruas,com homens encapuzados invadindo redutos de famílias.O que vejo e me atropela a toda hora são os meninos doentes em malabares prostituídos entre o vermelho e o verde dos faróis,a bacia de lata furada,as feridas dos usuários de craque alucinados a cada esquina.Não é só o que vejo na TV,nos jornais,nos filmes.Estou ali,neste lá que com força arromba a minha porta.Ocupa a minha casa com o medo.A luz dura do medo corta e desintegra o olhar terno e deslumbrado ao pé de maravilha que enfeita meu quintal.E vem a chuva enchente e alaga os noticiários e vejo fogo,fumaça saindo das águas esgotadas em imundícies.O vírus no sujo,urubus no lixão,pessoas encardidas com o corpo espumando azedo e urina.
Pedra fundamental desfez-se em pó .E lama.
Movente entre fragmentos capto o universo milionário de Dita Van Teers piscando luzes do corpo maravilhoso de mulher atmosfera,cintilante,viva em seu significado de deusa deslumbrante,tratada a ouro,artifícios plásticos,e estudada sedução montada no glamour de um fantasioso e nostalgico universo hollywoodiano.Estrela visível em frestas de seda,atiça homens e mulheres ainda vivos,acordados na surpresa de um belo nu.
E tudo corre bem...há água jorrando das fontes e rio limpo banhando Londres e Paris.
Tudo ,tudo é exagero e desproporção.
Apago a luz do abajur.
Longe da faixa de Gaza,do verso inverso de Dubai,dos abutres gordos que se banqueteiam com as crianças da Etiópia,da fumaça dispersa das florestas e cerrados do Brasil.
Desligo...



(
Querido leitor,

Se você acompanha este blog na fala da Querida Querubim e entender que é legal fazer o link com o seu eu lhe agradeço.
Cris )





sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Querida Querubim-Confissões íntimas,as partes mais sensíveis...



Ajo sobre o verso nu

do todo uno,
corpo amado
Aspiro a entrega
do tremer da pele
desdobro-me em ser e sou
Tudo pode
neste lugar primeiro
do planeta
Traços de nós
ascendendo ao cosmos
no respirar da festa
girando íntima
por entre os símbolos do quarto
ânfora grega
luz pálida do abajur amarelo
exóticos souvenirs
Santa guerreira
o mudo dinheiro
almofadas macias
recosto de inúmeros planos
lassidão de deserto
à sombra das palmeiras
além dos desejos do corpo
as lembranças hoje
são miragens
do arquivo de voyer
excitantes paisagens
somos assim
o veludo tímido transformista
entregue a carícia
do amanhecer



Livros,charutos,uma certa desordem transpira vida na sala.
Ela o recebe vestida.Bem vestida.
Suas roupas exibem elegância e ousadia.
O carrilhão toca e avisa o tempo,os números em algarismos romanos marcam as horas.
Por vezes a poesia em preto e branco.
Hamlet,3° ato,cena 1
Ser ou não ser
Eis a questão
(To be or not to be
This is the question)
O viver mecânico,a repetição das horas e dos dias.As lentes do óculos de grau.
O olhar míope dele a investiga de pertinho.
Os olhos buscam apertados o que não se vê de pronto.Os olhos para olhar respiram a aura da pele perfumada.
Frente a frente.Silenciosos
Apenas vim para te ver.Ele diz.
Ela assente com a cabeça.
Êle a penetra longamente com o olhar.Envolvido pelos mistérios sem decifrá-los.Tomado pela presença da mulher à sua frente.
Ela de olhos baixos, caminha até a cadeira de espaldar alto.a coluna ereta.
Pode ficar,ela diz.
-Mas não me toque baby.
Fique à vontade.Sirva-me champanhe.Quero bebericar.
Quieto! bem devagar.
Quieto! sua voz é imperativa.
O biombo em branco e preto delimita o espaço exíguo.
A mínima calcinha de seda mole e macia enroscada no tornozelo esquerdo.
Pode olhar.
Só olhar.
Não me toque.
Beije-me sem me tocar.
Tenho a vulva quente e húmida.
Vem cá,passe os dedos devagar por entre as minhas coxas.Bem devagar.
Você é tão doce.Sweet baby.
Ajoelhe-se e pinte com batom vermelho o meu sexo.
Agora beije-o demoradamente.
Colha o sal na sua boca.


A partir de certo ponto não há mais retôrno.O que fica além dos limites é o descarnar-se das coisas e sentimentos.
Quantil ôco preenchido com água fresca borbulhante
Aquilo que se situa no umbigo é sensação de insaciável liberdade.
Gosto de viver.
Vôo cego.
O inevitável caminhar pela atmosfera vazia,quase morte.

domingo, 11 de outubro de 2009

Querida Querubim-O desejo...

GALERIA ART LLIBERTAT
M.PAUMARCH obra gràfica
Bebe assim
do néctar que lhe ofereço
neste vão de lorde
alforge de águas
acordes de encanto
exclusivo recanto
de polpa macia
e seiva espumante
Bebe a mim
no enredo de teu porte
cativa-me com seus braços
me enlace forte
mais além do corpo
me ame pelo espírito
transborde em minha alma
o desejo,a posse
o desfrute da vida
e fique
Cristina Siqueira
_______________________________________
É como se fios invisíveis me prendessem a êle,pés,mãos,dançando no espaço,elástica,entregue ao fascínio que me põe bamba,bailarina.Todinha ali,coração,cintura,a dobra do ventre,eu danço.A vida em suas mãos num fio de delicado movimento.Marionete hipnótica de um feliz parque de diversões.Traços enovelados de sentimentos,Misty,ouço de um lugar qualquer.Deslizo pela memória do sexo,gostoso,bom.Agradável resposta do corpo encorpado e quente.O mergulho imprevisto na carne viva em desejos.Lábios sequiosos de beijos.Nada programado,sem resistência me entrego novamente.Sweet baby.Este senhor que me seduz com seus olhos mansos,a ponta suave dos dedos,a pressão forte das mãos em busca de apoios macios ,vãos aconchegantes.O leito sulcado na nuca onde a língua corre feito um rio.A sensação que perpassa a pele e chega a profundeza líquida do coração,impacto da existência dele em mim.Vejo-me de um outro jeito,êle sendo eu neste vale longínquo da vida.Reduzidos a essência.Seres completos. Cegos,tato da leitura sensível dos corpos,caminhos conhecidos,paisagens amadas traduzidas em luar.Auras deslizantes em misteriosas sensações.Vertigem.Nada que passe pelo pensamento.O abraço é tão estreito que nos dissolve em gotas de um amalgama fértil em energia.Ativamos super poderes ,podemos tudo neste momento inclusive apagar o mundo ,reinventar a vida....Suspiro fundo.A despedida apressada.Sem noção do tempo,do espaço.Completamente enternecida,anestesiada,largada de mim no último degrau da escada.Escuto a batida da porta.Um baque surdo no meu peito.-Como recobrar o controle?-como saber onde me acho? Meu Deus!-o rumo?O coração sufoca a traquéia ,enlouquecido no descompasso de suas rítmicas pulsações.Perdi a clareza.Os pés descalços.As pernas não obedecem,mãos trêmulas,coxas úmidas de amor quente.Louca! a risada explode no furor do desaviso.Incontrolável voz que cantarola sem som algum o bolero apoteótico.Ravel.Este enredo viciante,o drama explícito na secretude pálida do papel.Me descubro rica em amor pra dar.Me descubro desguarnecida,frágil,em pânico pela felicidadeque chegou,sem pedir licença,devastando a ordem melancólica situada na poltrona ocre da sala.Medo,sinto medo de recomeçar.O impacto físico que me põe viva,acordada faz-me perder das questões da existência.É a rota do ir-se embora da pressa,da urgência do dia seguinte,das próximas horas.É zerar os questionamentos,deixar de querer entender,reter,amarrar,aprisionar.Vivo um paradoxo entre a intensidade da carne viva que me conduz ao absoluto nada às sensações palpáveis de gelo na barriga que me vem pela dúvida,incertezas.A eloquência do grito que diz:Nâo pode!Começar tudo de novo...aprender a caminhar em novos velhos caminhos como iniciante.Buscar a mão perdida na distância...eu e o medo da dor, o medo do amor.Será?...acordar o que estava adormecido.Saio do estado de metal em movimento rígido e decorativo e passo ao terno desmanche de ser macia,solúvel em água doce,desmanchando em perfume pelo ar.Os sais na banheira de espuma,mergulho a felicidade.A marca deixada pela sua vontade.Sua voz suave percorre meus ouvidos...eternamente.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Querida Querubim-São Paulo é bagagem.









Marcelo Dalla,artista múltiplo,assina
o blog www.marcelodalla.blogspot.com
É dele esta ilustração charmosíssima .
São Paulo é minha cidade de força e trabalho,onde me expresso mais concretamente.



Avanço com passos intuitivos por um caminho que revela um emaranhado de ideias.Não sei o que tenho a dizer,nem onde tenho de ir mas vou,respirando pelos poros falo calada através do silêncio de Deus que não me diz o que é bom e ruim neste cinza confuso.
O tempo efemero,as contingências da vida,o apelo diário aos céus,o acento trágico da postura no salto alto equilibrando a desestruturada vertebral,bailarina da inquietude veloz com que fui alcançar nem sei o quê,tanto são as tentações quando se quer fartar de viver.
A vida não é fácil mas se oferece a mim sedutora quando abro as janelas do 16º andar sobre a cidade espetada em prédios,ninada em buzinas,freadas,luminosos hipnóticos.
São Paulo uma cidade tensa que avança pela corrente sanguínea.A trilha de carros,riscos de faróis no asfalto negro molhado.A cidade raspa pela pele.A proximidade com as pessoas reais que se locomovem enfrentando desafios de dar conta,dar conta,dar conta.
Existe beleza nos afazeres das jornadas longas,existe ordem neste caos.Abre o sinal.Verde,o ritual da vida.Assim se contrói a força ágil,tresloucada de Sampa,a cidade que me mimetiza.Sobretudo cinza,botas longas,cachecol,super bag,óculos escuros,negros mesmo,autêntico Ralph Lauren.
Amo esta cidade cheia de penduricalhos pelas ruas,camelos de brilho fugaz,pirataria e frutas.Tem yakisoba na esquina.Pessoas dentro dos prédios.Artistas criando com massinha de modelar a história,a escrita,a tinta,a folga,a ação ,a superação.Todos fazem alguma coisa num filme que se passa dentro de um filme imaginário,hermético na cabeça de cada um.A cena dos grafites paulistanos.
Resolver os problemas da mega cidade esta malha forte e intensa que se desdobra em infinitos possíveis,impossíveis carros.
Todos personagens transformistas jogados na temporalidade dos sinais que abrem e fecham.A cidade promete ganhos,clama pregões em sotaques emblemáticos de lugares distantes que se tocam na troca de dinheiro que passam de mão em mão na relação custo/velocidade/energia/capacidade.
O pecado da cobiça nas sedutoras vitrinas de tudo que o desejo quiser buscar.São Paulo junta tudo,todos,neuroses,amores,o que se oferece a seus seguidores enlatados neste mundo,as dores.
Componente do elenco acrobático dentro do show me construo de outra maneira,ganho tendências,linguagem,impulso.
Peço por mim de outro jeito,oficiando o culto aos filmes ,mergulhada nos signos artísticos das galerias,das exposições.A assiduidade com que visito o Museu da Língua Portuguesa.O passeio verde pelo Parque do Ibirapuera.O nariz afundado nos livros das ricas livrarias .
Todo o tempo é muito pouco neste estar livre pelas ruas e metros.O Bar do Genuíno,a familiar Vila Mariana,o cardápio de carne e carboidratos,os doces e cafés das padarias templárias-a Galeria dos Pães,a Doce Encanto da Rua Topázio.
A cada canto a cidade metálica no fim do mapa,dentro do mapa.A cada ponto intenso existe arte.
-E as feiras?-os pastéis.O ritmo martelado da poesia,o encanto formal do tudo que vale tudo.A luta aflitiva e séria,a façanha de ser feliz estourando toda tradução da lógica.
A matéria dispersa,fumaça.avenidas travadas,óxidos esparsos por trás dos quais se esconde o espanto.O encanto provisório,o refazer-se que ronda,o declínio da realidade.
Incorporo a cidade que abana cash,luxo.Mergulho no pote de ouro com olhos gulosos despertos para viver o clássico e o inusitado,o simples e o sofisticado na vibração que emana de todos os estilos em linguagem igual e caótica em dias de chuva.Reinado do limpador de para brisa,sombrinha e guarda chuva.Tudo é superfície alucinante.

Azul da janela aberta em cinza molhado.Respiro do chumbo fresco e frio que entra pelos vãos da vida.Sensações de dia e noite.O kibe e a esfiha do Elias e da Jaqueline ao lado do metro Ana rosa.A fumegante coxinha e o guaraná diet gelado.O paraíso da gula,a intenção de movimento percorrendo com os olhos os espaços corridos e velozes dos bairros que crescem em cada esquina,beco,avenida,viaduto e embaixo dele.Marginais que desembocam na liberdade das terras do interior.Rios cansados de promessas vãs e homens inúteis na hora de recompor o quadro vital e pitoresco.

O frescor da civilização que cresce jovem.O aroma do mundo na Oscar Freire.A Gabriel e os requintes para as casas em espetáculo de modernidade.
O cheiro de gente apressada,enervada pela rua Direita,Viaduto do Chá,Praça João Mendes,Anhangabaú.A insanidade consumista delirante do país inteiro e dos vizinhos latinos que desemboca na rua 25 de Março,na ladeira Porto Geral.A dinâmica da vida pós humana refletida em dinheiro.
As ilusões dos espectadores a passos lentos olhando vitrinas nas galerias e shoppings centers,nos mega super mercados que entusiasmam senhas tecladas com agilidade de pianistas.
-Quem sou eu afinal nesta multidão de cores,na mistura de figuras,nas aparições repentinas a cada esquina de personagens novos,reais e flutuantes ?
O animado ser humano encapsulado em carros de modelos decantados em anúncios de lirismo extremo convincentes de que nos transformam em seres melhores,vitoriosos ,em glória.Torno-me figura e fundo,a voz sem interlocutor,a freada súbita,a sirene da ambulância,a revista colorida da esquina ,o preto e branco distinto,o kajal e o batom,a mala de rodinhas para carregar de tudo a vida.
A cidade hiperativa de várias estações em um mesmo dia,do muito a fazer,do impossível parar.Todas as contradições ,o desejo de emagrecer e morder o alvo errado das carnes suculentas das gastronômicas churrascarias.
Passada enérgica , fibra de aço,dança ligeira de pares que não se tocam.Passam carcaças vazias,homens de mente ocupada,mulheres de natureza fria,vendedores atrevidos.
Povo animado pelo dinheiro nos bancos.Homens ,mulheres e crianças cobertos em sonhos sob as marquises ,em show de malabares nos semáforos com as mãos estendidas necessitados dos alimentos da ilusão.
Em clima de happy hour garotas que em minutos servem-se nuas em refúgios de luxo ou lixo.
A noite e os pubs, centro de fumaça do mundo rápido,pesado,estranho e solitário.As madrugadas agudas e quebradas em via crucis etílica.
O ingovernável se auto mantém na estrutura cosmopolita de sua desvairada viagem.
A grandeza de São Paulo nunca me abandona.Bagagem.




Esquina da rua 25 de março com a Ladeira Porto Geral- Natal de 2008



domingo, 13 de setembro de 2009

Querida Querubim- A Roda Gigante de Luzes







Cheguei até aqui,neste dia de idade nova e tenho objetivos próximos e a longo prazo.Tenho a determinação do desfrute,sou capaz de trabalhar criativamente.A arte é salvadora.Minha existência é importante,estou aberta para os sentimentos.Ainda me interesso em descobrir toda beleza que existe dentro e fora de mim.A dor existe mas recebi o dom de me colocar acima dela.
Me distraio andando a pé até a padaria,o café,a praça,o máximo de percurso que dou conta no momento e nem percebo a dor como companhia.Dançar,amar,brincar no mar ,tudo posso e mais ainda,ficar horas regradas no computador,assistir filmes e conversar.Então posso,então gosto do que posso.E posso.
O círculo virtuoso da transformação sediado no meu corpo -coração me tornam a mais e além dos ossos ,músculos e entranhas que me põem em pé.Gostaria de voar 5 metros acima como os peixes que se lançam na piracema.Sobreviver com leveza e graça construindo um novo imaginário com possibilidades não pensadas.Hoje até o corpo se refaz na maravilha da ciência com suas proteses,titânio,enxertos em técnicas apuradíssimas.
-E qual o sentido da vida?
Penso que é viver no sentido mais absoluto e absurdamente natural,alinhada ao gosto de usufruir,degustar,construir ,irradiar-ultrapassar a vida anunciada,a mortalidade que submete,o medo que acovarda.Ser forte neste acreditar,no estar e ser o agora.
A partir da criação celebrar a força criadora que ao revolver o solo entumescido dos restos podres e adubado pelo que é velho e jaz ao solo, germina em ideias e projetos que instigam a prontidão,o amadurecimento natural de vida nova.
O ser novo do mundo inteiro grávido nas mãos de sentires que partem velozes da visão de dentro,única.Assumindo que a cada dia tudo é novo.Tudo é bebê a exigir cuidados.
Pluma que voa em um fenômeno tão simples e banal e ,mesmo sendo pluma e sem vida é vital,dança circulante,energia circundante.A intenção de expandir a vida,o gosto por compartilhar,viver para acrescentar generosas porções de si mesmo a humanidade.
Em períodos turbulentos o voo criativo é redentor-coração preparado com doçura em momentos de encontro com o silêncio e a solitude-esta dimensão imensa em que a alma se solta para dançar em evoluções de ir e voltar em proporções grandiosas que moldam a realidade e a modificam.Fazer arte é exercício de paciência.Paciência que acontece naturalmente,passo a passo sem querer chegar a algum lugar e contudo chegando no ponto a ponto do fazer com gosto.
Este é o alimento que se combina produzindo textos saborosos,poemas libertos,riscos da alma em terrenos desconhecidos e abençoados.Contemplo a mim mesma agindo com paixão e firmeza,bens que preservo pelo tempo das idades.Voraz como li outro dia no comentário de um leitor-Voraz sim mas saboreando com vagar o gosto de viver intensamente,cumprindo a parte que me toca e, limpa na consciência-um sem pensar estético e arraigadamente ético.Este é o princípio.Sem julgamentos me fiz assim.
Agéis e longas narrativas organizadas na tela do computador meu príncipe do momento.Meu rei sem tormento de poder.A conexão com semelhantes afins.Como é bom e amigo este estar na trama virtual.
No outono sou um filme em nuances cinza, do chumbo ao prata iridicente.O preto e branco noir do inverno.Explosivo em cores ,sensações e cio na primavera.E largado de si no verão ,tempo de ócio pelas praias da Bahia,pelos catres das cabanas,acolhida pela mata fresca,verdejante.Sou também música e pássaros,rumor de rios,queda livre das cachoeiras,coral de cigarras anunciando a noite.
Rigorosa busca da essencia do prazer,ficar contente a toa.Usufruir o peixe da moqueca,o camarão do bobó,todas as cocadas e suas fitas de cor:maracujá,queimada,branquinha.
A bolsa com os artifícios da vida moderna,o protetor solar,o ipod,o iphone,a camera digital.Trago para o simples toda a parafernália tecnológica,todas essa coisinhas de Deus desbravadas pela inteligência humana.E curto sem medida as inúmeras possibilidades que existem.Sou a cena e o fora dela.Sou o quadro,o mar aberto,o cochicho das ondas ,a paisagem do horizonte e também os olhos de fora,a platéia que assiste vibra e enlouquece com a deslumbrante beleza.
Vejo o que não é visto.É sentido.Aguço a sensibilidade sobre o invisível debruçada no mirante do infinito.Transcendo ao tempo, sem pressa,livre de espectativas e ansiedades.Meu bendito vidrinho de floral impatiens.E recebo a benesse de não me frustrar.
Trago os momentos de silêncio para perto e percebo o que há entre as coisas.O tempo é caro,patrimônio cumulativo de riqueza.
Sou e somos algo único.As histórias escritas nas faces.Sou e somos histórias reais criando um story board de verdade a cada dia quando pulamos da cama para trabalhar,amar,para encorajados fazer da nossa vida o que nos é próprio,admissível.
Do mundo percebo a amplidão,o quanto sou minusculíssima.Do outro percebo sua performance original mesmo que encoberta por disfarces e mentiras.Vejo sua humanidade buscando por luz,entendimento como a planta que cresce em direção ao sol...até as plantinhas rasteiras.
E falando de arte falo dos seres que driblam os desafios ,equilibrando em malabares a aventura e a rotina e tem sua força no trabalho,no prazer,na generosidade,no humor e se revelam amorosos ao que nos cerca e cativa.
E a roda da vida vai ,gigante,até o momento em que se transforma em alma.E a crisálida em borboleta.


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

É pura volúpia-Presente de aniversário que ganhei de Estela Siqueira do blog:www.poesianuncaedemais.blogspot.com

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Querida Querubim--Brasileira,esperei sempre sem esperar

Venus de les cadires-M.Paumarch-www.llibertatatrebill.blogspot.com


Poeminha de um minuto

Tentei ser outra
menos aquela que comete versos
tentei ser menos lua
olhar parado
tempo frouxo
vida andante
entusiasmo no pote ardente

Tentei de tudo
mas não deu
sou inconstante
de tudo a festa
a alma nua
o corpo solto

Livre a mente
Sou outro tipo de gente



Nevoeiro de ilusões,com luz amarela dissipo as brumas das espectativas encantadas.No ponto de passagem pela vida em que me encontro hoje,tudo é permitido,o oásis que criei não é miragem e existe acima das proibições inúteis que impedem o corpo e o espírito de se soltar.Liberto a luz confinada em meu coração com lágrimas verdadeiras,risadas gostosas,suspiros saudosos,paixões explícitas,buscas óbvias que servem ao magnetismo da maturidade.Tempo de um deixa estar conclusivo.Atravesso noites e dias com a mente aberta disposta a vivenciar de maior enlevo espiritual,dimensão natural que desejo com apetite como a comida que me serve. Falo de música,poesia,bons livros,filmes,arte surpreendente,pessoas interessantes,beleza,harmonia.
O fazer com gosto é o fato de importância que acontece agora.Brasileira esperei sempre , sem esperar pela segurança que nunca veio,pelo previsível que não há.Nunca me foi possível saber com antecedência do resultado concreto dos meus projetos.A vida exigiu de mim coragem e peito aberto,fé.Apostei sempre no inusitado,no nem sempre provável ,e,eu sózinha também sou bloco.Arrisquei no fazer com gosto ,a realização sempre à frente da gratificação material.E por obra e graça do destino a vida me sustentou assim .Consegui mais que os alfinetes ,as vaidades e a casa estruturada em lar Tenho por patrimônio o tempo,o conforto,amizades feitas em décadas longas e dedicação.Valeu a pena,acredito.Descubro então que sou uma ONG,uma Fundação sem fins lucrativos.
Sem corruptelas e contradições pago o preço da liberdade.Faço biscates de luxo aqui e ali,artista múltipla habituada a conviver com a sorte.Exercito a escolha,nem sempre acertada,nem sempre a melhor mas a que o momento pede.Sou atrevida e nem sempre ando por terrenos seguros.Sempre na corda bamba.Um espetáculo imagino que bonito de apreciar dado o público fiel que me acompanha mesmo sendo eu uma escritora intimista
sem uma bandeira forte que me projete no mundo para fluir com mais facilidade.
Mas é assim que me faço com os tons do instinto,divino e humano em sintonia com vibrações semelhantes que vou atraindo pelo caminho.Neste espaço transparente onde revelo sentimentos,emoções,sensações da pele,vulnerabilidades,incoerência,flutuações me basto.Sou fiel a trilha estreita que me foi confiada pela vida,crio assim um vácuo seguido pelos ardorosos que vêm em mim a parceria possivel de amor e libertação.Arrisco em atalhos e quebradas insuspeitáveis.Desafio a lógica e o bom senso porque o que me leva a despeito de tudo e de todos é essa inquietude,esta intuição sussurrante em meus ouvidos,as frases que vão se formando ,me tomando e me movimentando.
Sou uma estrela capturada em uma redoma de tela virtual.De luz intensa vivo me auto consumindo em fogo.O brilho depois se torna em cinzas congeladas,ressurge em tímidas fagulhas e se recria sem falsificações.E quanto mais me vejo mais enigmática me torno.Avanço porque há muito a se fazer neste caminho de vazios.Sou uma promessa de acontecer confinada em artifícios da blogosfera.Guardada no armário como se fosse traje comum
,eu e meu visual cenográfico,meu figurino de estrela,minha bagagem de letras e sentidos.
Existem lugares no mundo que posso dizer,lá é lindo!Existem pessoas em mim que me tornam maior,bonita melhor.Existem espaços amplos e ôcos para preencher com ar livre e arte.
Existe palpitação por fatos legítimos,almas sinceras e límpidas verdades.Existe e tenho certeza um homem que busca por mim na louca corredeira do destino.
Existem lugares de paisagem linda,pessoas generosas,almas bondosas que me cercam em abraço abençoado.
Existem seres de mergulho que me cativam pelo conhecimento.
Sou só,descontolada e viva,senhora de mim em um leilão fictício a espera de lances que me levem a bater o martelo.Uma obra aberta,um trabalho sem fim.Canelas finas em frágil estrutura,de imagem difusa,ficção em sonâmbulos cenários escancarado a vida ,para poucos que veem.
-Onde a salvação extrema?
-Onde?
Se entendo por salvação extrema o animo ,a energia,a paz dinâmica,a criação e a dignidade humana que o dinheiro confere.

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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Querida querubim-Amar é o que amplia meu mapa humano

Nem sempre compreendo o que faço.Torno-me outra quando leio meus escritos.Leitora ,tomada pelos próprios devaneios e realidades como se esta vida que escrevo não me pertencesse.
Debruçada sobre o papel,papiro da minha alma,relação estreita com o plexo que gera palavras .A barriga aconchego do espírito antes do dar-se à luz em partos em que me desdobro em infinitas outras,todas mulheres.Fantásticas querubins ,escritoras,artistas,resolutas guerreiras,dóceis pacifistas.Aprofundo o olhar sobre a vida e nas perguntas sem respostas.E contudo tudo é tão claro.O poder de deter este tempo,aprisioná-lo em brochuras e brochuras e conservá-lo fixo a espera de que alguém ao lê-lo o transforme magicamente em movimento.Dar o poder ao leitor de viver a fatia do tempo recortado da minha vida.O toque dos olhos do leitor não me pertence e nem o espero mas este acontecer é o que tornará vivo novamente este declarar que encerro aqui.O movimento das palavras,do fazer desse jeito é imortal.A força que percebo quando me extasio na leitura de meus gestos inconclusivos.Na vida sempre fica um bocadinho para se viver amanhã.A cada dia a vida pede um tempo.Se vive a véspera.
O mundo é primitivo,civilizado, instigante,surpreendente trilho o caminho da aventura para me sentir livre,independente.Esta rota para mim é segura,antiga conhecida,rumo do acaso e da sorte.Conexões estreitíssima com a natureza que contemplo,com o cão companheiro fidelíssimo, plateia do dormir e do acordar.Os livros que me aguardam na estante,os jornais diários,as pesquisas que me lotam em conhecimento,os contactos virtuais.Escrevo e vivo.Tudo junto,tudo agora.Eu e eu o tempo todo sem me cansar de mim,pelo contrário adoro a paz da minha companhia.Sem solidão.Disponível ao bom ,ao bem a tranquilidade e a criação.
Os semelhantes,estes seres ricos em seus universos particulares,estas almas transbordantes em singularidades.
As aproximações formam uma família estreita,explosiva em elos luminosos do valor de cada um,são como fogos de artifício que espocam cintilações na noite escura e concorrem em brilho com as estrelas,são os amigos,as pessoas afins,minha família amada.
Nem sei o que sei e pouco me interessa quando disparo com a esferográfica preta só Deus sabe o que não sei.
A vida,o encontro com o improvável,quem sabe amanhã amarei novamente alguém de um outro jeito,com novos encantos.Que tola sou,é claro que amarei.Amar é o que amplia meu mapa humano,o incentivo,o sentido.
A interpretação aberta onde tudo pode na realidade articulada que crio para viver.Tenho esta virtude de criar e fazer valer o que admiro e acredito.
Reflito com compaixão sobre a realidade das pessoas,a doçura ou o fel do alimento espiritual,a leitura piedosa do outro me presenteia com serenidade,coragem,estímulo para seguir em frente.
Estar acima da mera representação do que é real.Atenta,presente,armada para o escape das incertezas.
Estar acima mas sem a noção do espaço determinado.Acima como condição de voo e assim mergulho é também estar acima também é voo.
Coleciono instantes,a balburdia inconclusiva da vida arteira.Tomada pela paixão do fazer artístico da literatura artesanal me dedico a organização do caos e tornar visível o imponderável em para sempre.
A vida é para sempre.
E me surpreendo escrevendo assim com esta capacidade imortal e transcendente.Meu território flutuante,instável,líquido , água.
Bebo dessa fonte e saboreio a minha fatia de vida autonoma,a sintonia com quem realmente sou.
O tempo passa quando eu não olho para ele.
Os escritos serão diferentes quando eu os ler daqui a cinco,dez,vinte anos.E muito terá se passado.Mas o que importa é para onde eu estou me dirigindo agora.O único domínio é o da minha consciência.Trago a vida para o centro do coração a medida em que vou me
recolhendo,encolhendo no exercício de me recriar.Os primeiros exercícios da transformação em andamento,arrumo a casa e as lembranças importantes..Quero tudo ao mesmo tempo .Tanto há a ser feito.

sábado, 15 de agosto de 2009

Querida Querubim-Segue o seu caminho. Só.

É na cama, entre as almofadas, estirada sobre o cobre leito, rememorando episódios que tomo plena consciência do meu papel em sua vida.Sei ser a possível saída para seus dias cinzentos.As fichas caem na minha cabeça e ouço até o barulho das moedas como em um pandeiro cigano.Esta realidade que assunto com os meus lacinhos tem em si lados contraditórios,um painel de alegorias.Divago naquele dia,naquela noite,o encontro,o riso,a naturalidade cúmplice...Estradas e paredes que nos separam não têm a menor importância.Seus olhos no vazio,a ocupação severa com a crise,com a grana que torna seu cenho carregado,sua expressão cansada,o semblante triste me deixam desolada.A impotência reside nas dores que não consigo abrandar,na fome do espírito que não tem alimento que baste,na volta aos padrões mecânicos e tediosos que prenunciam o fim.O drama é quando esta história de amor se transformou em território comum,tendendo a artifícios,saturada pelo tédio de ter que estar em uma posição conformista.Não dou conta deste "tem que amar".
Perdemos o clima transgressor,corro o risco de virar a esposa.Tudo que não quero,papel que com você eu não consigo me ver.Corações com tinta azul,nada apaixonante,o risco de nos tornarmos mais um casal neurótico invadidos nesta nossa intimidade estimulante.Abertos ao desconforto asfixiante de seu estilo precário de vida baseado nas aparências,vinculado aos padrões da hipocrisia e pendendo ao desequilíbrio entre o que se diz e o que se vive.
A ducha no corpo quente.
O telefone insistente.
O cão suspira como um gato.
O espelho confirma as formas,as mãos buscam sensações,carinhos,passeio pelo corpo sonolento.
As emoções escondidas,a busca por um amor sereno.Nós imagens refletidas no espelho,seres ocultos atrás da tela transparente.Sombras que constroem um universo de tangências e espaços
alongados em distância.

(Ela escreve versos.Separados não se esquecem,continuam se amando.Conversas que não dizem,olhos que se evitam,esquivam-se da dor.Protegem as cicatrizes com bandaid invisível.
As viagens a tornam um ser em trânsito,eterna mutante,entregue a própria sorte.O fado a música triller do destino é o ponto de constância).

Lá um dia ele irá chegar com prenúncio de fim.Sem palavras porque espera que eu as diga ou delicadamente coloque as palavras em sua boca.Sem confrontos e palavras ásperas,lhe daria a benção do "tudo bem" e ele se sentiria menos mal.
Sei que vai acontecer e esta incerteza cruel me leva a precipitar os acontecimentos.Na verdade devoro a isca de seu mutismo por não saber conviver com a incerteza.
Eu tão livre me acostumei a previsibilidade confortável deste homem,seu apoio,sua generosidade provedora.
O alarme disparado,as sensações esclarecem o que sei e não quero admitir.
De novo solta no universo do acaso,encontros aleatórios,tangências de intelecto.
Regular é o horário de levar o cão para passear.A parede vermelha da sala é constante no momento em que chego em casa.
Adenso o território da escrita,adentro à alma buscando nos caminhos abstratos a rota de fuga,nunca igual,nunca a mesma.O vitral gótico dos fragmentos das histórias amorosas.Tento a cor única,um campo de Provence,lilás líquido.Artesã de pigmentos,nuances de amor e liberdade.Estratégia de brincar de contente para não esmorecer.O azul deste céu não é habitável onde pássaros de acrílico movimentam em gestos de ar plumagens de neon.
Impotente assisto a destruição dele e de sua família disfuncional alimentando condições sem condições de verdade.O supérfluo,o eterno faz de conta,a brincadeira diária de contos de fadas.A embriagues da ilusão.É assim o reino da desmedida fantasia.O jeito que encontraram para o crescimento torto originado pelo medo de perder as posses, o incentivo pela subida social para manter o padrão estabelecido.E eu voyer da queda vertiginosa de um homem bom.
Tento me manter a parte,mas seu abatimento é triste de ver.Penalizada em presenciar o declínio
do organismo vivo em um quadro de natureza morta.
Urgência de renovação. Sigo o meu caminho. Só. Abandono a doçura acolhedora dele amante, consciente de que é o melhor a ser feito. Cubro-lhe de gratidão e, Querubim, intercedo amorosamente para o céu aberto em seus caminhos. Deixo-lhe o livro de preces.
O alívio de me sentir com forças para mudar o rumo sem olhar para trás. Sem despedida. Sem lamento. Chega. Não posso pactuar com o desajuste a pobre vida rica. O fim é natural. Fui honesta.

Depois de uma vida de silêncio e traições quem sabe agora ele retome a sua vida com mais verdade. O único caminho possível para desfazer a armadilha. Quem sabe ele recupere seu equilíbrio e com clareza conquiste a sua libertação.

A vida sempre reserva mais surpresas do que se pode imaginar.

Aprendo que adeus significa adeus. E dói.

sábado, 1 de agosto de 2009

Querida Querubim-Cinza chumbo


Em mar cinza chumbo
fez-se o destino
rasgo negro nanquim
galho de forquilha
talho seco

Mais ali,rocha imensa e fria
o olho pulsa entre o céu e a terra
rasgo rente ao chão
areia de deserto
ínfimo grão

meu peito é leito
mar
ouro inverso



Gostaria de conversar um pouco.
Usar parte da vida,do céu,das aves para contar uma história.
Nós nunca mais seremos os mesmos.A fuga te raptou.
É uma pena.Amor quando dói dá sinal que esta vivo.
Me perdi no seu enigma.
Seu rosto de fragmentos.Sua história de evasivas.
Temos que conversar.Sem palavras.
A lua nova guarda um grande segredo.
As cortinas da sala,claras,vaporosas.
Vou até Plutão e na volta gostaria de encontrar uma estrela.
Gosto da ideia de experimentar coisas novas
Desfilar visões e desejos,uma ilusão e um sonho.
E as vezes gostaria de repetir o abrace-me como se me amasse.
-Como vai a vida?
Soaria falso.
-Como vai você?
Seu rosto severo revela parcimônia e vazio.
E me dispo da camisola francesa.
O modo como vivo a vida com retalhos de algodão.
Os olhos de laser que veem a vida atraves do que não foi visto.
Ouvidos que ouvem o que não foi dito.
-O que será que eu busco em um homem?
Peço companhia aos céus.
Alguns homens choram lágrimas sentidas.
Alguns choram por dentro.
Outros são frios metalizados.
E tem aquele da superfície que com certeza pensará:- estará ela nua por baixo da roupa?- estará vestindo roupa íntima sensual?
Não posso esconder sentimentos.
O martírio da dúvida?-como separar vidas entrelaçadas?
História que parece roteiro de filme
Obra de uma cabeça que não para.
Padeço de febre setena com acessos na sexta-feira.
Amizade é o valor que perdura.Amor é o que pulsa devagar e sempre.
Paixão é esta nausea com o estõmago vazio.O quero não quero.O posso não devo.È o pulo para atender o telefone...mudo.A contradição entre o que digo e o que admito.O limite frouxo para a falta de limite.Atração que vibra além de um fraco não.
Droga!
A briga é uma asneira que se cristaliza de forma dramática.O silêncio corta.
Palavras de aço afiado,rápidas em riste ,se atropelam para julgar.Dizem o que não viram.Se enredam na fertilidade da imaginação.Sabotam.Esquentam.
Privação do corpo.
Provação da alma.
Eu não tenho voce,espaço em branco...Ai escrevo poemas.
Ausência de cor.
O encontro do prazer suspenso.

Não dá para viver sem amor.
Ouço uma música triste.
É como se existisse fumaça
de papéis,músicas,beijos
que morrem em fogo ardente
é como se a vida se tornasse cinza
e a voz que não diz
é um eco estranho do passado
ligeireza da vida
roubando do tempo o tempo da dor.


Preciso de 5 minutos
para apanhar o destino
Preciso de 5 minutos para retocar a vida
e partir.