terça-feira, 20 de março de 2012
Sabático
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Tenho dito em vai e vem
Quero
Outro momento
quarta-feira, 8 de junho de 2011
...Sobre o amor e amar

...sobre amor e amar
Caminho pelas ruas acordadas da cidade. No IPOD, anos 80 e seleções que se alongam em minh’ alma à dentro revirando em ondas o sangue vivo,vibrando em vocação apaixonada.Elvis e Marlene Dietrich ,Luis Melodia e Ana Carolina,Caetano Veloso canta Nature Boy e Marisa Monte e Cesária Évora se entendem lindamente.E Besame Mucho em tons que arrepiam. Nina Simone, sua voz quente, e nos passos de ver a vida de trás para frente ouço apaixonadamente Love me Tender e fecho os olhos para me entregar a Stardust na voz de Rod Stuart.Seria bom estar a menos de um milímetro de um beijo prestes a ser um acontecido acontecimento.
Quase danço, transfiguro a realidade em prazer. Quero viver sem ameaça alguma, atravessar a rua de olhos fechados confiante de que o vermelho do sinal me protege. Estou feliz com este delicioso e absurdo som, aciono o time da vida neste elegante aparelhinho da Apple, meu broche sexy vibrando poesia em meus ouvidos, flutuo sem que ninguém perceba.Faço amor na frente de todos ,descaradamente ,e ninguém se dá conta deste amor que transborda e empapa em suor a malha de lã,o corte na virilha da calça jeans.Ninguém se dá conta que amar é um estado absoluto de feliz presença ,uma gota de leveza neste alvoroço ,neste caos profundo e desumano do existir.Minha natureza abre-se a vida assim,é deste jeito que eu sou...
Gosto de reticências é meu tempo mudo quando lhe ofereço o espaço para você preencher. É meu estilo de manter um diálogo com você sem nome que me lê e se toca com o sussurro falante que disparo em flechas para sua alma. Uso travessão mesmo quando falo sozinha. Sou eu minha hóstia, ponho reparo no mundo a todo tempo, o tempo todo. E ligada ao som que me extasia, quase ausente deste corriqueiro de luzes do semáforo me movo entre o céu e o caminho dos cães, dos pregões baratos, das pessoas que não se vêem indiferentes aos desejos naturais.
Viver é liturgia.
Minhas botas de salto, altas com fivelas prateadas, a canela fina envolvida em meias de nylon, longamente as coxas.
Ingênuo sabor fatal, o beijo quando dá certo.
Recolho sentimentos para que não me abandone o coração. Recolho o sangue quente de viúva, estou madura quero me repartir com doçura e algo selvagem me arrebata em instinto e toca a planta carnívora que me encanta.Ouço a impossível voz de amores desdobrados em cantos,óperas,harmonia distinta dos que se aventuraram em cozer a vida com paixão-a trama do destino dos que arriscam tudo,pouco ou quase nada.
O amor que me leva a realizar minúcias, a esculpir um homem com as mãos nuas. Nada é simples, amor é rococó, paredes que desaparecem, estradas que se abrem, camadas de tecidos macios para arfar, brincar e se entreter com o tempo sem cálculo à resposta do corpo a carícias .Os beijos é com doçura que se dão...os abraços a tensão mágica do desejo...rio de alegria...choro em de repente...meu amor é meu amor e está vivo anunciando o esplendor do coração que pulsa e faz o desejo se erguer enervado...esse tanto de amor que não envelhece.
Amar , um movimento de amplitude,não restringe,liberta,oferece espaço para ser feliz.Amar é a arte de se completar nas diferenças.É dom, talento que abre as comportas da generosidade da existência,organiza as gavetas da alma com leveza e desprendimento.É um sentimento preciosíssimo ,um cofre de certas coisas que permanecem secretas e de outras que viram fotografias.Nesta vida dispersiva e superficial amar é porto que acolhe bons e raros navegadores de águas profundas .
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Sobre esquecer...

A vida se faz de palavras repetidas,repetidas formas de se expressar.
Agora vivo silêncio,sono calmo,dou-me suspiros e um sincero desejo de amor novo.
Respeito a minha natureza,encaro instintos abafados,gozo de minha leve presença e sem
pressa parto em busca do meu destino.
Como cheguei a este estado nem eu sei ,é um estado de acontecência de ir-se esquecendo É um dar as costas e abrir-se em expectativa para o desfrute de novos aconteceres...é ir-se...ir-se...
A urgência de criar a cada tempo minha parte da verdade.Meu naco escuro de solidão ,para mim absurdamente solar,claríssimo.Apago o caso escrito,sou audaz me reconhecendo mínima,aprendiz .Fico melhor assim vendo as lembranças dispersas pelo vento na imensidão e depois apagadas pela chuva.E quem partiu tem menos poder longe da minha vista e tenho tempo,todo o tempo,para pensar onde irá ficar melhor o vaso chinês que ganhei num dia hipotético,azul em significados,letra de música onde irei colocar uma metalic orquídea,exquise e branca de paz.Esse ar solto,este vôo livre das lembranças machucadas.
Alargo o coração dando boas vindas ao próximo instante.E só tem um jeito é quando ignoro o que não pode ser feito é quando me digo: desisti de enfrentar o espanto , desisti de me enredar em promessas.
Tenho todo o tempo do mundo para estar comigo sem a exaustão de outra pressa .Zero não me assusta.
Amor como quero viver é aquele que traz um estado de alívio,ainda penso em pai,reino, conforto,
dia seguinte .Penso em filho e no tanto de amor que me carrega pelo fim de tarde de cor grisalha e imprecisa.Quero vencer o tempo com todos os vagares que atiçam meus sentidos.Nunca até onde sei mulher alguma ousou adolescer de fato quando chega o cansaço que o tempo traz e a envolve em aconchego, em mantas de lã fininha .
Acordei nesta manhã com as forças do sol a me abençoar viva e constante.Deixo-me ir como a água tocada pelo vento.E reconheço pelo volume de transparencia que me tornei esta mulher plena de sumo para ser saboreada com doçura.E quando choro reconheço o amor e quando rio de histórias divertidas percebo que liberta o vinho tem outro sabor .Vago enfim com os olhos abertos.
É com amor demais que desfruto a vida com os meus filhos, a graça dos pequenos,o cão fiel,poucos amigos chegados em pequenos espaços ocasionais repletos de alegria.Sossego de consciência.Esquecer é um exercício de não ver passar o tempo ocupada em me adiantar
para viver quem sabe uma nova carta de copas,quem sabe um rei,um imperador...quem sabe?
Um homem que me convença a lhe acompanhar senão os passos, as palavras e seus dotes de proteção e carinho.
E quando me olho no espelho gosto do que vejo...meus olhos brilham,tem a força de acreditar.
Cultivo encantos e reconheço que a maturidade me assenta bem.Existe uma luz ocupando o espaço do medo,da carência,da insegurança .Tornei-me em outra ,mais serena ,paciente,sábia.
Recordo de fatos na clareza que a distância revela,sei mais do que digo,aparo a passagem dos personagens em aventura ,vivo bem com o eterno e o efêmero e sòzinha agora me sinto fisgada por uma pressão provocadora nas partes da alegria.
A vida é preciosa em cintilações de intensidade que acenam e despertam meu instinto de sobrevivência.É um ir-se...
sábado, 26 de março de 2011
Tempo de mudanças
Após dar-me um tempo para reflexão, desligada dos dias urgentes, entendi de levar a vida mais devagar e com melhores resultados. E é o que tenho feito. Superligada ao movimento energético, buscando clareza para me lançar à vida de forma simples e sábia.
Expectadora da flutuação do desconhecido mundo que nos acorda em aflição e dor com tempestades, furacões, terremotos, tsunamis e o ar letal em radioatividade.
-Que lição é relevante para a humanidade nestas tragédias que estão acontecendo agora? Com certeza, sairemos mais fortes após entendermos com quanto desprezo tratamos as dádivas generosas da natureza. Muitos ainda ganharão fortunas com esta tragédia e todas as tragédias futuras, outros serão tocados pelo espírito da compaixão, da solidariedade, da volta à simplicidade e respeito.
Tempo de mudança, de reinventar a maneira de viver. Tempo de prestar atenção e fazer o caminho contrário do profetizado bezerro de ouro.
Cansei de estar cansada, cansei da repetição ao infinito de meganúmeros, quantidades absurdas, desproporcionais.
A maxifilosofia do excesso, da nulidade do pensar, do embuste dos ganhos máximos, as pessoas acabam consumindo-se a si mesmas e as pessoas que as cercam. Devemos aprender e ensinar a que se aprecie o que temos, valorizando nossas conquistas, cativando pela boa educação, criando laços de bondade. Ë tempo de amor e presença junto à família. É tempo de abençoar, ser grato e ensinar às crianças a rezar. É tempo de fé.
O que pode ser mais importante nesta vida? Questiono o por que as pessoas agem contra seus próprios interesses. Questões de orgulho arruínam suas vidas. A inveja e a autoilusão levam-nas por caminhos que conduzem a nada. Por que é tão importante manter a autoimagem? Quanto você vale no mercado das aparências?
Por que o ciúmes e a cobiça do destino mais feliz do outro?
No tempo de meu pai, não era preciso elogiar o honesto, simplesmente a honestidade era uma norma de conduta que não precisava de realce.
Bem, tenho a minha própria vida para levar, tenho sonhos pessoais, projetos de sensibilização humana e social em busca de parceiros e é preciso seguir em frente.
Quero fazer acontecer a poética da vida moldando o próprio mundo em que as pessoas vivem... levá-las à reflexão sobre novas possibilidades muito menos angustiantes, preencher com palavras de sentido o tambor oco que lhes ressoa no peito.
Quero receber do tempo as dádivas das lembranças das coisas boas que fiz de fato. Desperta eu também sonho.
Agora no outono, entregue ao prazer da minha casa em Tatuí, sob a guarda de meu fiel Lovan, retorno a este “blog” de um jeito novo, com mais folga para o estilo fluir. O que significa recuperar meu jeito instintivo de ser desde que a chama do tesão de fazer se mantenha acesa. Quero ter bons motivos para escrever, entrevistar pessoas que realmente valham o meu tempo e o tempo da sua leitura.
Gosto do céu azul do outono em Tatuí, o tempo mais fresco que convida a tomar chá, café e a taça religiosa de vinho tinto. Gosto da facilidade com que me desloco pelo centro, usufruindo de ter tudo que preciso à mão. Gosto de meus amigos, da cordialidade dos vizinhos, de conversar com os leitores pelas ruas sem distanciamento. Gosto de pertencer a esta cidade, embora deva confessar que muitas vezes sinto-me desapontada com a falta de interesse e apoio efetivo para concretizar meus projetos.
E quero receber o carinho que mereço de pessoas que eu curto e admiro pela integridade ética, pelo trabalho que desenvolvem, pela coragem com que se lançam à vida. Pequenas atenções me animam a ir em frente, a despeito dos profundos presságios que coexistem no espaço de uma realidade violenta e desumana.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
O caminho




Existe sim um caminho e outro caminho e infinitos caminhos.
Ir,ir sempre.Impossível voltar pelo mesmo caminho.Que se cumpra chegar onde devo.
Paisagens são paragens do olhar.Efervecências como a vitamina C na água transparente.Passam.
Paixão é esta fricção da alma com o mundo que me cerca.Ir é ter fé mesmo que indefesa como uma criança.A viagem me torna adaptável as circunstâncias,maleável e receptiva.É vida.Tenra com a frescura do novo,os olhos brilhantes pelas surpresas.Atenta e flexível para contornar os riscos e desafios.Viajar é vencer a vida nos próprios passos.
-Por onde vou se me distraio em brincar pelo caminho?
Luz e sombra,o passar do vento,a um tempo a brisa,os pássaros que riscam o céu.Tudo é trânsito,tudo muda .A cena aparece em um sol abrasador e se oculta em uma noite tenebrosa.Caminho transformista.
Mergulho nas profundezas psicológicas,me obrigo a expressões em idiomas que desconheço.
O silêncio é companhia confortável onde se espraia a imaginação.
-O que existe no fundo dos rios e dos oceanos?
Passo por cidades esquecidas por Deus,lugares sem nome,pessoas em cujo rosto leio histórias,animais cativos em pastos e quintais.Rumor de cachoeira,auto estradas,avenidas em horário de rush.Rumor do quarto ao lado no hotel duas estrelas onde um homem ofega no ritmo do prazer de uma mulher.Rumor de idiomas diversos nas tvs de bares e cafés.O rumor do vento em fúria de tempestade.Flores e folhas se esparramam cíclicas,tudo se revolve e sai de seus lugares.
Os peixes na peneira,a lama do fundo dos lagos,os restos dos homens livres.A sardinha assada na brasa à moda portuguesa.
seria mais fácil se eu não pensasse.O apetite pela sardinha após longa caminhada,passos de ver vitrinas.Olhos de encanto.Comer é pausa.
Passa o tempo e nem percebo.-Será que assim não envelheço?
Ninguém pergunta se estou triste ou feliz.Aos que viajam as perguntas são sobre lugares;de onde viemos e para onde vamos.
A generosidade da arte,a música que chega de todos os lugares seguem comigo,companhia de viagem.E me concilio a outros e outras em passos de dança.
Tudo tem um sentido.E me olho com o excesso de bagagem.E me olho nas palavras que vou deixando pelo caminho.Escrevo para me entreter,escrevo porque duvido de mim e através da escrita me reconheço.
É como se ao me escrever eu criasse o espelho das minhas perplexidades.Escrever é o meu único caminho.O fio que me conduz é a tinta da caneta.Visível em azul ou preto luzidio como um rio que brilha em noite de lua cheia.
Escrever é o meu valor.
Criar é o exercício da verdadeira arte altruísta,pensar para aprender da vida a própria vida-o provisório sentido da vida.Uma marca que caminha e vai mudando de lugar,se estica.O sentido da vida é ser longe,alongar-se para se encontrar.Um elástico flexível.
Assim vou achando caminhos.
O eco do grito entre as montanhas.
O túnel claustrofóbico,o jeito infantil de cobria a cabeça para ficar segura e não ser descoberta.
O frio da passagem pelo túnel escuro.agua pinga em enchovia.Túnel húmido,abafado,condutor de medos.A travessia.Águas estagnadas.Percursos sombrios.
Assim vou deixando caminhos para trás.Sou só eu no dia seguinte.No momento seguinte.
Aproveito a sensação de não ter pressa alguma.Os momentos que não preciso dizer nada.As noites em que recordo toda a vida.
A bondade que encontro na infância,o gosto por um elogio sincero,o beijo de minha mãe antes de dormir,as leituras com meu pai.Tenho sorte,eles me fizeram acreditar.Acreditar que posso.
E posso.
Faz parte da minha natureza saborear a vida com esperança e o que não sei invento.
E posso.
Viajar tem gosto de para sempre.
Agora chove,chove torrencialmente,a água lava os caminhos.
E tem coisas que só Deus sabe.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
O prédio de tijolo cru é a minha casa
A neblina da manhã fria.Faróis são olhos abrindo a estrada.A luz treme.
O inverno era muito mais frio quando eu era criança.Tudo se torna apenas memória.
Nada morre para sempre.E o tempo passa.
Um filme dentro de um filme em que mortos e vivos convivem e não se sabem se mortos ou vivos.
Alguém chama os olhos azuis da menina.O xale de renda branca.De lã.E dedos que enlaçam a trama,o croche de laços e nós.
A vida em amores desfeitos.
Vai e vem.
-O que eu poderia ter sido?
O prédio de tijolos cru é a minha casa.
Histórias que não são reais,me apaixono por tipos que componho com encantamento.Rica em imaginação,desejos,carências,querencias.
Não uso relógio.
Escrevo onde não acontece nada.
Escrevo o que diz e não fala.
Xícaras empilhadas,lembro-me.
Aperto a cabeça para extrair a memória e dar-lhe um fim prático.
Um adorno em cima da mesa.
Apalpo o peito para acarinhar o coração.
É bom,bem gostoso.
Vejo à mim a meia -noite.
Agora relaxo.No calor da tarde é meio dia.
Riscar amarelinha no chão de cimento.
As fatias vermelhas de melancia em nacos.
Sede de guaraná champagne.
A infância que trago para visitar o presente tem gosto de frutas e perfume Avant la Fete.
Quando consigo alinhavar as ideias perco um pensamento.
Na calma demais vai-se o assunto.
Sem preguiça trabalho num plano invisível.
Sem preço.
sábado, 23 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Amor, Cd "Se houvesse AMOR a vida seria carícia"de Cristina Siqueira

M.PAUMARCH obra gràfica
Um tricô,um meia,uma laçada
Quantos nós a desfazer
Quantas laçadas perdidas
e linhas embaraçadas
a conta na ponta da língua
o canto nos pontos contados
o ponto que escapou
o arremate bem feito
o avesso e o direito
Assim é o amor
a trama do dia a dia
o miúdo dos segundos
a costura que une as partes
um meia
um tricô
ponto barra apertado
um abraço
um beijo
um tecido delicado
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Sonhos

Foto de Jorge de Oliveira Jorge
Sonho
As margens móveis
onde desagua
a corredeira do destino
as terras destacáveis
das beiras
pontilham em peças
o desenho que se vai
pelo rio de leito tortuoso
Eu ,a massa desta matéria
miro-me no espelho de mão
O papel parece feito de areia e mato.Brisa que desfaz os pensamentos.A paisagem recolhe o vazio da paz.Nuvens caprichosas vagam -O que acontece neste mundo de nuvens,e além das nuvens neste mundo invisível e luminoso que toco quando sonho acordada em estado de paz?Nuvens tocadas pelo vento.Tem coisas que só compreendo depois que se passa muito tempo.
Os sonhos acordados chegam e se projetam em grande velocidade,se espalham pelo horizonte feito os livros pela minha casa.E caminham à frente da vida.
Sonhos voam ,tem vida própria e em suas asas me abasteço em energia que me leva a progredir.Sonhar é um estar hipnótico de curta duração e intensa potência.Sonhos acarinhados que me transportam ao universo das possibilidades.Sonhar é deixa-me levar pelo simples e absolutamente possível.Viagem do tudo pode ,o mais longe que consigo alcançar com a intenção de fazer acontecer.
Tranquilidade e harmonia,um restinho de cansaço persistente.Durmo com a consciência leve ,o corpo entrega-se aos lençóis macios.A fonte dos sonhos do sono onde refugio o espírito.À noite os sonhos dormidos são céu onde crio estrelas,estico os braços e alcanço a lua.Os sonhos não se detém se estendem pela madrugada,me vestem feito luvas.A segunda pele feita de nuvens e anjinhos balançando os pés na meia ogiva da lua crescente, um fragmento no imenso e profundo escuro.
Os detalhes falseados que surgem verdadeiros,a libertadora e possível esperança;a convulsão
de abismos,voos sem asas,vagas imensas,que me engolfam,solidão em espaços ermos,escadas infinitas,torturas ébrias em velocidade absurda.
Aprecio os sonhos pela manhã,tento reter o filme daquela noite,ás vezes anoto,ás vezes me esqueço.Tudo acontece enquanto os olhos teimam em não acordar,quando quero prolongar o estado acolchoado onde a alma recosta-se longa e lânguida.
Não existe caminhos de ida e volta,espaços vagos,imagens que vejo de coisas e fatos que não vejo.Visões e imaginações que passam pela minha cabeça,fugas em imagens líquidas que escorrem para um poço escuro ou um lago límpido e sereno onde se acalmam.
A natureza leve e diluída dos sonhos,o efeito de luminosidade e porosidade surreal das coisas que passam e tornam a realidade apagada.,espectadora de um mundo fugaz.,atemporal onde convivem fantasmas vivos e mortos,afetos,presenças impalpáveis contudo reais.Sem contorno surgem os sinais onde se assenta o universo dos fatos,coisas,pessoas,expressões.Sonhos são vazios para alcançar a impressão de amplidão,sem clausura visual expandem ao infinito a mitologia viva em que se estrutura meu ser.A atmosfera que se recria em olor,texturas,formas inesperadas e pressentidas.A incomum gama de sensações que me tocam a ponto de rir,sorrir,chorar,beijar a sós o travesseiro.Tudo se mostra atrás da gaze onírica..Sonho me faz sentida .Sentida de sonhar.










