sábado, 7 de fevereiro de 2009

Querida Querubim-Entregue a própria sorte como é feliz!

Caminha leve o corpo se mexendo dentro da roupa .O vestido de panos de seda abre-se em roda grande na parte de baixo,a cintura marcada,os seios no lugar descansados nas alças fininhas do corpete amarrado atrás feito um espartilho.
A passos pausados caminha pelas ruas de areia ondulando os quadris tornando a caída
da saia transparente sensual, insinuante do contorno do corpo bem feito com formas definidas macias em suas curvas.
Um pouco antes e um pouco depois das horas marcadas no relógio da padaria,não importa.Observa vagamente o tempo, nada a preocupa, deixou para trás as obrigações rotineiras que lhe consumiam a energia.
A cada pedaço do trajeto lhe surgem idéias novas,um volume de palavras que se sucedem em efeito.Caminha brincando ,distraída com a leitura de seus próprios pensamentos..O dia está quente,o sol alto faz tremer fantasmas saídos da poeira fina do chão .Seu ritmo é comandado pelo olhar,detém-se onde há beleza para contemplar.Estica o vocabulário em busca de novas palavras que revelem as belezas escondidas,passa alheia aos olhares dos homens,alerta a percepção da natureza,encantada com os efeitos de luz e sombras das arvores copadas retalhadas em verde e frescor.
Delicadamente arruma os cabelos atrás das orelhas.Amarra com pedrinhas transparentes
um rabo de cavalo baixo na altura da nuca.Sob os cabelos corre um fio de suor que se evapora na brisa.
Sensações são palavras vivas em seu universo intimo.O roçar das coxas úmidas por sob os panos muda o rumo do pensamento.Quase que deixa de pensar,sente uma onda gostosa que lhe sobe pelos quadris a dentro.É pura volúpia. que pulsa, escondida na linha secreta de seus desejos,um milagre em cada gesto de seu corpo..O relevo dos seios em suave balanço,o sulco quente do vão das axilas nuas sugerem mil movimentos possíveis e deliciosos,exalam tons de fragâncias diversas,se fazem em música,dança,harmonia possível nas pisadas leves da calma presença .
Entregue a própria sorte como é feliz!-agora sim entrou em um mundo além das palavras.
A beira d’água ,sózinha na praia deserta,desvencilha-se das sedas que lhe envolvem o corpo.Desamarra os laços das costas.Afrouxa o espartilho e por cima tira o vestido.
A seus pés um amontoado de panos.As palavras desaparecem
Só o mar límpido e sereno menos quente que o ferver de gosto entre suas pernas.
Seu corpo maduro e o mar dialogam em um verso de prazer,ela gosta disso,dessa entrega sem pecado,acolchoada pelas ondas suaves em cadência de balé.
O azul transparente,cintilante,um espelho que a duplica em metamorfose .As palavras sem espaço entre as linhas perdem-se no infinito do horizonte.
A enseada plana e êrma,a maré subindo,o conforto da brisa.Tudo é azul.
Barcos de pescadores ancorados,silenciosos.Um par de olhos acompanha os movimentos doces da moça vestida de mar e algas,brilhante deusa dos corais.
O mar liso,aberto em flor de espuma.

4 comentários:

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá Cristina, belo texto...Espectacular....
Beijos

Vanilda F. disse...

Olá Cris..Hoje acordei muito yang,agitada sem conseguir me relaxar,então coloquei seu CD( Se Houvesse amor a vida seria caricia)relaxei para ouvir , fiquei Yin recuperei o equilíbrio emocional de mulher poderosa.
Beijokas

Vanilda F. disse...

Nossa!!!! Cris,que conto sensual da até para visualisar essa linda mulher de olhar distante indo de encontro ao mar contemplando a beleza da natureza,com a brisa lhe secando o suor que escorre pela nuca, e o mar que lhe envolve com flor de espuma.
(Ama-se um poeta pela maneira como nos fala de amor) Silviano Santiago, poeta e escritor Mineiro
Um abração

Léo disse...

"Só o mar límpido e sereno menos quente que o ferver de gosto entre suas pernas."

Mais o que é isso hein... Doce Querubim sendo possuída por Poseidon, tal é o desejo e a cumunhão que eu vejo uma mulher despida quase que hipnotisada adentrar na água para comungar com o rei dos mares em seu sorriso levado não importa-se com o pescador que a consome no olhar, ela se perde no extase de seu corpo, tal é o nirvana em que sua mente adentrou, nada mais a incomoda, somente o prazer a excita alegria vivaz da moça-inferno acalentando-se de sí própria... Oh doce Poseidon, toma-lhe o corpo como a esposa dos deuses.

Ahhhhhhhh O caminhar é hipnótico sim... saia ao vento, suor que a torna humana, e o não se incomodar com os olhares cortejados de homens na areia.

Essa Querubim é muito poderosa mesmo.

Oh... tô acompanhando o andar da moça Querubim... bem de perto.

Direto do Rio.
Hipnotizado...
Beijos moça poetisa.