terça-feira, 16 de novembro de 2010

O prédio de tijolo cru é a minha casa



A neblina da manhã fria.Faróis são olhos abrindo a estrada.A luz treme.
O inverno era muito mais frio quando eu era criança.Tudo se torna apenas memória.
Nada morre para sempre.E o tempo passa.
Um filme dentro de um filme em que mortos e vivos convivem e não se sabem se mortos ou vivos.
Alguém chama os olhos azuis da menina.O xale de renda branca.De lã.E dedos que enlaçam a trama,o croche de laços e nós.
A vida em amores desfeitos.
Vai e vem.
-O que eu poderia ter sido?
O prédio de tijolos cru é a minha casa.
Histórias que não são reais,me apaixono por tipos que componho com encantamento.Rica em imaginação,desejos,carências,querencias.
Não uso relógio.
Escrevo onde não acontece nada.
Escrevo o que diz e não fala.
Xícaras empilhadas,lembro-me.
Aperto a cabeça para extrair a memória e dar-lhe um fim prático.
Um adorno em cima da mesa.
Apalpo o peito para acarinhar o coração.
É bom,bem gostoso.
Vejo à mim a meia -noite.
Agora relaxo.No calor da tarde é meio dia.
Riscar amarelinha no chão de cimento.
As fatias vermelhas de melancia em nacos.
Sede de guaraná champagne.
A infância que trago para visitar o presente tem gosto de frutas e perfume Avant la Fete.
Quando consigo alinhavar as ideias perco um pensamento.
Na calma demais vai-se o assunto.
Sem preguiça trabalho num plano invisível.
Sem preço.

17 comentários:

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá Cris, belo texto...Espectacular....
Beijos

Sonhadora disse...

Minha querida

Um belo texto, cheio de nostálgia, do que fomos do que somos do que queriamos, lindo.

Beijinhos com carinho
Sonhadora

UIFPW08 disse...

Linda a poesia, lindo o texto.
Beijos
Morris

Ira Buscacio disse...

Cris, sua avassaladora!

Minha amiga, vc se afasta, mas qnd vem......... é pra nos tirar o couro!
Lembrei de tantas coisas que se foram no tempo da vida, mas que ficaram presas no tempo da memória.

Bjão com toda admiração.

Jorge Sader Filho disse...

Também adoro fachadas de tijolos crus, tem alma!
Texto melodioso, rico, apaixonante!
Parabéns, Cris.

Carinho,
Jorge

mhsenger disse...

Cris,
que bom que vou vê-la hoje para poder lhe dar parabéns pessoalmente pelo belo trabalho.
Obrigada e muito!
Beijo,
Maria Helena

lino disse...

Simplesmente belo.
Abraço

Graça Pires disse...

Um poema muito bom!
"Nada morre para sempre", é verdade. Nós é que vamos morrendo aos poucos para o que e quem nos rodeia...
Um beijo.

marcelo dalla disse...

"Escrevo onde não acontece nada." Só aí, já aconteceu um universo!!!!
Maravilhoso poema, repleto de imagens, cores, cheiros, sabores. Sensorial e transcendente.

Querida!!! Quero fazer visitinha de novo e receber visitinha tb!
Fiquei com saudades.
bjosssssssss

Mirze Souza disse...

Lindo, Cris!

A fachada é maravilhosa, o texto-poema, compensa o tempo em que você nos deixa.

Essas imagens são a eternidade em vida!

Super lírico!

Beijos

Mirze

Edna Machado de Campos disse...

oi Cristina amei o seu poema..principalmente qdo vc diz que o inverno era muito mais frio..qdo vc era cr.
lembrei-me da minha em Tatui.. como era gelado o grupo Eugenio Santos!e a minha professora
Ligia Vieira de Camargo mae do Firmo falando com um vaporzinho saindo pelos labios..
oops.. tb tenho uma casa de tijolinho como vc la..hoje estou muito longe,aqui na Europa..achei o seu blog qdo adicionei a minha amiga dos tempos do Barao, Carmelina Monteiro no facebook
vou seguir seu blog agora
um abraco
Edna de Campos

Vanuza Pantaleão disse...

Amiga,
Que bom, que delícia passar pela sua casa e vê-la assim, sempre tão criativa...

Um doce final de semana!

Batom e poesias disse...

Oi querida.
Quanta saudade!

A gente vai e volta nesse emaranhado da blogosfera, mas é certo que jamais te esqueço.
Sempre bom ler você.

bjcas

A.S. disse...

«A neblina da manhã fria.Faróis são olhos abrindo a estrada.A luz treme.»

Por dentro da neblina, fogem os últimos sonhos...
Quando as pálpebras se abrem, o brilho dos olhos chama pelos pássaros... e a luz do sol treme!

Beijos!
AL

Estela disse...

A casa é nosso refúgio e onde abrigamos nossos sonhos.
Onde quer que estejamos, sempre buscaremos o aconchego nas lembranças tecidas entre suas paredes.
Bjs.

Raquel Fayad disse...

Querida Cris.

Estou muito feliz em estar morando aqui, embaixo, num lugar onde a arte transpira e onde me inspiro e me reinvento todo dia.

Bjo gd
Sdds de vc.

Ah! Temos um morador novo, um Agapornis, que de tão amarelo recebeu o nome de Vincent, Vincent Van Gogh.

Phivos Nicolaides disse...

Obrigado pela visita e seu gentil comentário. Com apreço e total respeito. Felipe Viagens