quinta-feira, 10 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Querida Querubim--Brasileira,esperei sempre sem esperar
Venus de les cadires-M.Paumarch-www.llibertatatrebill.blogspot.com
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menos aquela que comete versos
tentei ser menos lua
olhar parado
tempo frouxo
vida andante
entusiasmo no pote ardente
Tentei de tudo
mas não deu
sou inconstante
de tudo a festa
a alma nua
o corpo solto
Sou outro tipo de gente
Nevoeiro de ilusões,com luz amarela dissipo as brumas das espectativas encantadas.No ponto de passagem pela vida em que me encontro hoje,tudo é permitido,o oásis que criei não é miragem e existe acima das proibições inúteis que impedem o corpo e o espírito de se soltar.Liberto a luz confinada em meu coração com lágrimas verdadeiras,risadas gostosas,suspiros saudosos,paixões explícitas,buscas óbvias que servem ao magnetismo da maturidade.Tempo de um deixa estar conclusivo.Atravesso noites e dias com a mente aberta disposta a vivenciar de maior enlevo espiritual,dimensão natural que desejo com apetite como a comida que me serve. Falo de música,poesia,bons livros,filmes,arte surpreendente,pessoas interessantes,beleza,harmonia.
O fazer com gosto é o fato de importância que acontece agora.Brasileira esperei sempre , sem esperar pela segurança que nunca veio,pelo previsível que não há.Nunca me foi possível saber com antecedência do resultado concreto dos meus projetos.A vida exigiu de mim coragem e peito aberto,fé.Apostei sempre no inusitado,no nem sempre provável ,e,eu sózinha também sou bloco.Arrisquei no fazer com gosto ,a realização sempre à frente da gratificação material.E por obra e graça do destino a vida me sustentou assim .Consegui mais que os alfinetes ,as vaidades e a casa estruturada em lar Tenho por patrimônio o tempo,o conforto,amizades feitas em décadas longas e dedicação.Valeu a pena,acredito.Descubro então que sou uma ONG,uma Fundação sem fins lucrativos.
Sem corruptelas e contradições pago o preço da liberdade.Faço biscates de luxo aqui e ali,artista múltipla habituada a conviver com a sorte.Exercito a escolha,nem sempre acertada,nem sempre a melhor mas a que o momento pede.Sou atrevida e nem sempre ando por terrenos seguros.Sempre na corda bamba.Um espetáculo imagino que bonito de apreciar dado o público fiel que me acompanha mesmo sendo eu uma escritora intimista
sem uma bandeira forte que me projete no mundo para fluir com mais facilidade.
Mas é assim que me faço com os tons do instinto,divino e humano em sintonia com vibrações semelhantes que vou atraindo pelo caminho.Neste espaço transparente onde revelo sentimentos,emoções,sensações da pele,vulnerabilidades,incoerência,flutuações me basto.Sou fiel a trilha estreita que me foi confiada pela vida,crio assim um vácuo seguido pelos ardorosos que vêm em mim a parceria possivel de amor e libertação.Arrisco em atalhos e quebradas insuspeitáveis.Desafio a lógica e o bom senso porque o que me leva a despeito de tudo e de todos é essa inquietude,esta intuição sussurrante em meus ouvidos,as frases que vão se formando ,me tomando e me movimentando.
Sou uma estrela capturada em uma redoma de tela virtual.De luz intensa vivo me auto consumindo em fogo.O brilho depois se torna em cinzas congeladas,ressurge em tímidas fagulhas e se recria sem falsificações.E quanto mais me vejo mais enigmática me torno.Avanço porque há muito a se fazer neste caminho de vazios.Sou uma promessa de acontecer confinada em artifícios da blogosfera.Guardada no armário como se fosse traje comum
,eu e meu visual cenográfico,meu figurino de estrela,minha bagagem de letras e sentidos.
Existem lugares no mundo que posso dizer,lá é lindo!Existem pessoas em mim que me tornam maior,bonita melhor.Existem espaços amplos e ôcos para preencher com ar livre e arte.
Existe palpitação por fatos legítimos,almas sinceras e límpidas verdades.Existe e tenho certeza um homem que busca por mim na louca corredeira do destino.
Existem lugares de paisagem linda,pessoas generosas,almas bondosas que me cercam em abraço abençoado.
Existem seres de mergulho que me cativam pelo conhecimento.
Sou só,descontolada e viva,senhora de mim em um leilão fictício a espera de lances que me levem a bater o martelo.Uma obra aberta,um trabalho sem fim.Canelas finas em frágil estrutura,de imagem difusa,ficção em sonâmbulos cenários escancarado a vida ,para poucos que veem.
-Onde a salvação extrema?
-Onde?
Se entendo por salvação extrema o animo ,a energia,a paz dinâmica,a criação e a dignidade humana que o dinheiro confere.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Querida querubim-Amar é o que amplia meu mapa humano
Debruçada sobre o papel,papiro da minha alma,relação estreita com o plexo que gera palavras .A barriga aconchego do espírito antes do dar-se à luz em partos em que me desdobro em infinitas outras,todas mulheres.Fantásticas querubins ,escritoras,artistas,resolutas guerreiras,dóceis pacifistas.Aprofundo o olhar sobre a vida e nas perguntas sem respostas.E contudo tudo é tão claro.O poder de deter este tempo,aprisioná-lo em brochuras e brochuras e conservá-lo fixo a espera de que alguém ao lê-lo o transforme magicamente em movimento.Dar o poder ao leitor de viver a fatia do tempo recortado da minha vida.O toque dos olhos do leitor não me pertence e nem o espero mas este acontecer é o que tornará vivo novamente este declarar que encerro aqui.O movimento das palavras,do fazer desse jeito é imortal.A força que percebo quando me extasio na leitura de meus gestos inconclusivos.Na vida sempre fica um bocadinho para se viver amanhã.A cada dia a vida pede um tempo.Se vive a véspera.
O mundo é primitivo,civilizado, instigante,surpreendente trilho o caminho da aventura para me sentir livre,independente.Esta rota para mim é segura,antiga conhecida,rumo do acaso e da sorte.Conexões estreitíssima com a natureza que contemplo,com o cão companheiro fidelíssimo, plateia do dormir e do acordar.Os livros que me aguardam na estante,os jornais diários,as pesquisas que me lotam em conhecimento,os contactos virtuais.Escrevo e vivo.Tudo junto,tudo agora.Eu e eu o tempo todo sem me cansar de mim,pelo contrário adoro a paz da minha companhia.Sem solidão.Disponível ao bom ,ao bem a tranquilidade e a criação.
Os semelhantes,estes seres ricos em seus universos particulares,estas almas transbordantes em singularidades.
As aproximações formam uma família estreita,explosiva em elos luminosos do valor de cada um,são como fogos de artifício que espocam cintilações na noite escura e concorrem em brilho com as estrelas,são os amigos,as pessoas afins,minha família amada.
Nem sei o que sei e pouco me interessa quando disparo com a esferográfica preta só Deus sabe o que não sei.
A vida,o encontro com o improvável,quem sabe amanhã amarei novamente alguém de um outro jeito,com novos encantos.Que tola sou,é claro que amarei.Amar é o que amplia meu mapa humano,o incentivo,o sentido.
A interpretação aberta onde tudo pode na realidade articulada que crio para viver.Tenho esta virtude de criar e fazer valer o que admiro e acredito.
Reflito com compaixão sobre a realidade das pessoas,a doçura ou o fel do alimento espiritual,a leitura piedosa do outro me presenteia com serenidade,coragem,estímulo para seguir em frente.
Estar acima da mera representação do que é real.Atenta,presente,armada para o escape das incertezas.
Estar acima mas sem a noção do espaço determinado.Acima como condição de voo e assim mergulho é também estar acima também é voo.
Coleciono instantes,a balburdia inconclusiva da vida arteira.Tomada pela paixão do fazer artístico da literatura artesanal me dedico a organização do caos e tornar visível o imponderável em para sempre.
A vida é para sempre.
E me surpreendo escrevendo assim com esta capacidade imortal e transcendente.Meu território flutuante,instável,líquido , água.
Bebo dessa fonte e saboreio a minha fatia de vida autonoma,a sintonia com quem realmente sou.
O tempo passa quando eu não olho para ele.
Os escritos serão diferentes quando eu os ler daqui a cinco,dez,vinte anos.E muito terá se passado.Mas o que importa é para onde eu estou me dirigindo agora.O único domínio é o da minha consciência.Trago a vida para o centro do coração a medida em que vou me recolhendo,encolhendo no exercício de me recriar.Os primeiros exercícios da transformação em andamento,arrumo a casa e as lembranças importantes..Quero tudo ao mesmo tempo .Tanto há a ser feito.
sábado, 15 de agosto de 2009
Querida Querubim-Segue o seu caminho. Só.
É na cama, entre as almofadas, estirada sobre o cobre leito, rememorando episódios que tomo plena consciência do meu papel em sua vida.Sei ser a possível saída para seus dias cinzentos.As fichas caem na minha cabeça e ouço até o barulho das moedas como em um pandeiro cigano.Esta realidade que assunto com os meus lacinhos tem em si lados contraditórios,um painel de alegorias.Divago naquele dia,naquela noite,o encontro,o riso,a naturalidade cúmplice...Estradas e paredes que nos separam não têm a menor importância.Seus olhos no vazio,a ocupação severa com a crise,com a grana que torna seu cenho carregado,sua expressão cansada,o semblante triste me deixam desolada.A impotência reside nas dores que não consigo abrandar,na fome do espírito que não tem alimento que baste,na volta aos padrões mecânicos e tediosos que prenunciam o fim.O drama é quando esta história de amor se transformou em território comum,tendendo a artifícios,saturada pelo tédio de ter que estar em uma posição conformista.Não dou conta deste "tem que amar".
Perdemos o clima transgressor,corro o risco de virar a esposa.Tudo que não quero,papel que com você eu não consigo me ver.Corações com tinta azul,nada apaixonante,o risco de nos tornarmos mais um casal neurótico invadidos nesta nossa intimidade estimulante.Abertos ao desconforto asfixiante de seu estilo precário de vida baseado nas aparências,vinculado aos padrões da hipocrisia e pendendo ao desequilíbrio entre o que se diz e o que se vive.
A ducha no corpo quente.
O telefone insistente.
O cão suspira como um gato.
O espelho confirma as formas,as mãos buscam sensações,carinhos,passeio pelo corpo sonolento.
As emoções escondidas,a busca por um amor sereno.Nós imagens refletidas no espelho,seres ocultos atrás da tela transparente.Sombras que constroem um universo de tangências e espaços
alongados em distância.
(Ela escreve versos.Separados não se esquecem,continuam se amando.Conversas que não dizem,olhos que se evitam,esquivam-se da dor.Protegem as cicatrizes com bandaid invisível.
As viagens a tornam um ser em trânsito,eterna mutante,entregue a própria sorte.O fado a música triller do destino é o ponto de constância).
Lá um dia ele irá chegar com prenúncio de fim.Sem palavras porque espera que eu as diga ou delicadamente coloque as palavras em sua boca.Sem confrontos e palavras ásperas,lhe daria a benção do "tudo bem" e ele se sentiria menos mal.
Sei que vai acontecer e esta incerteza cruel me leva a precipitar os acontecimentos.Na verdade devoro a isca de seu mutismo por não saber conviver com a incerteza.
Eu tão livre me acostumei a previsibilidade confortável deste homem,seu apoio,sua generosidade provedora.
O alarme disparado,as sensações esclarecem o que sei e não quero admitir.
De novo solta no universo do acaso,encontros aleatórios,tangências de intelecto.
Regular é o horário de levar o cão para passear.A parede vermelha da sala é constante no momento em que chego em casa.
Adenso o território da escrita,adentro à alma buscando nos caminhos abstratos a rota de fuga,nunca igual,nunca a mesma.O vitral gótico dos fragmentos das histórias amorosas.Tento a cor única,um campo de Provence,lilás líquido.Artesã de pigmentos,nuances de amor e liberdade.Estratégia de brincar de contente para não esmorecer.O azul deste céu não é habitável onde pássaros de acrílico movimentam em gestos de ar plumagens de neon.
Impotente assisto a destruição dele e de sua família disfuncional alimentando condições sem condições de verdade.O supérfluo,o eterno faz de conta,a brincadeira diária de contos de fadas.A embriagues da ilusão.É assim o reino da desmedida fantasia.O jeito que encontraram para o crescimento torto originado pelo medo de perder as posses, o incentivo pela subida social para manter o padrão estabelecido.E eu voyer da queda vertiginosa de um homem bom.
Tento me manter a parte,mas seu abatimento é triste de ver.Penalizada em presenciar o declínio
do organismo vivo em um quadro de natureza morta.
Urgência de renovação. Sigo o meu caminho. Só. Abandono a doçura acolhedora dele amante, consciente de que é o melhor a ser feito. Cubro-lhe de gratidão e, Querubim, intercedo amorosamente para o céu aberto em seus caminhos. Deixo-lhe o livro de preces.
O alívio de me sentir com forças para mudar o rumo sem olhar para trás. Sem despedida. Sem lamento. Chega. Não posso pactuar com o desajuste a pobre vida rica. O fim é natural. Fui honesta.
Depois de uma vida de silêncio e traições quem sabe agora ele retome a sua vida com mais verdade. O único caminho possível para desfazer a armadilha. Quem sabe ele recupere seu equilíbrio e com clareza conquiste a sua libertação.
A vida sempre reserva mais surpresas do que se pode imaginar.
Aprendo que adeus significa adeus. E dói.
sábado, 1 de agosto de 2009
Querida Querubim-Cinza chumbo

Em mar cinza chumbo
fez-se o destino
rasgo negro nanquim
galho de forquilha
talho seco
Mais ali,rocha imensa e fria
o olho pulsa entre o céu e a terra
rasgo rente ao chão
areia de deserto
ínfimo grão
só
meu peito é leito
mar
ouro inverso
Gostaria de conversar um pouco.
Usar parte da vida,do céu,das aves para contar uma história.
Nós nunca mais seremos os mesmos.A fuga te raptou.
É uma pena.Amor quando dói dá sinal que esta vivo.
Me perdi no seu enigma.
Seu rosto de fragmentos.Sua história de evasivas.
Temos que conversar.Sem palavras.
A lua nova guarda um grande segredo.
As cortinas da sala,claras,vaporosas.
Vou até Plutão e na volta gostaria de encontrar uma estrela.
Gosto da ideia de experimentar coisas novas
Desfilar visões e desejos,uma ilusão e um sonho.
E as vezes gostaria de repetir o abrace-me como se me amasse.
-Como vai a vida?
Soaria falso.
-Como vai você?
Seu rosto severo revela parcimônia e vazio.
E me dispo da camisola francesa.
O modo como vivo a vida com retalhos de algodão.
Os olhos de laser que veem a vida atraves do que não foi visto.
Ouvidos que ouvem o que não foi dito.
-O que será que eu busco em um homem?
Peço companhia aos céus.
Alguns homens choram lágrimas sentidas.
Alguns choram por dentro.
Outros são frios metalizados.
E tem aquele da superfície que com certeza pensará:- estará ela nua por baixo da roupa?- estará vestindo roupa íntima sensual?
Não posso esconder sentimentos.
O martírio da dúvida?-como separar vidas entrelaçadas?
História que parece roteiro de filme
Obra de uma cabeça que não para.
Padeço de febre setena com acessos na sexta-feira.
Amizade é o valor que perdura.Amor é o que pulsa devagar e sempre.
Paixão é esta nausea com o estõmago vazio.O quero não quero.O posso não devo.È o pulo para atender o telefone...mudo.A contradição entre o que digo e o que admito.O limite frouxo para a falta de limite.Atração que vibra além de um fraco não.
Droga!
A briga é uma asneira que se cristaliza de forma dramática.O silêncio corta.
Palavras de aço afiado,rápidas em riste ,se atropelam para julgar.Dizem o que não viram.Se enredam na fertilidade da imaginação.Sabotam.Esquentam.
Privação do corpo.
Provação da alma.
Eu não tenho voce,espaço em branco...Ai escrevo poemas.
Ausência de cor.
O encontro do prazer suspenso.
Não dá para viver sem amor.
Ouço uma música triste.
É como se existisse fumaça
de papéis,músicas,beijos
que morrem em fogo ardente
é como se a vida se tornasse cinza
e a voz que não diz
é um eco estranho do passado
ligeireza da vida
roubando do tempo o tempo da dor.
Preciso de 5 minutos
para apanhar o destino
Preciso de 5 minutos para retocar a vida
e partir.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Querida Querubim -O tempo espera,quero viver.
Os verdes tempos os vivi.Os cor de rosa foram se esticando em longa primavera que se misturam a este dourado do outono.O ócio é meu sócio, o capital,matéria prima líquida que me embebe de prazeres,até o cio pelas palavras é húmido,morno,latente,pulsa em um acontecimento gerado na raiz do umbigo,algo como um parto ao inverso que a partir dessa covinha rasa na barriga vai se desenrolando em seu cordão de espécie e escrevendo letrinhas,palavras,sentimentos.Estou fértil um presente a mais da existência que me agraciou com três filhos.
Momento de pequenos partos onde me fragmento e me multiplico.
As ideias na paciência dos dias tornam-se claras se transformam em luzes evidentes,espocam em flashes.A regalia da descoberta,os insights que sinalizam felicidade,a simplicidade que chega para aliviar a complexidade dos dias.
O que passou da conta aos poucos vou largando,deixando ir,abrindo uma clareira de ternura e afeto.Espaço para o beija-flor pousar no ar e instantâneamente me envolver com sua beleza.O belo me faz bem.E se não houvesse esta irradiação comovente de alegria,este poder de transformar o sombrio em luz,a harmonia,a gentileza,seria,se não houvesse,profunda tristeza,luto,dor,lástima,olvido.
O tempo espera.Quero viver.
Expandir-me como o tempo,ser semelhante,nem rígida,nem uniforme,com a força de sua passagem atuante.Tempo substantivado em pessoa.
Preciso do outro,da cooperação,da cumplicidade do respeito e do seu amor.O outro me vitaliza em influências,interação,intersecção,comprometimento.Na busca por mim virei ímpar,hoje quero compartilhar destinos,crescer junto.Ainda há tempo de me ocupar com a grandiosidade da criança que nasce.Quero viver esta solitude não solitária,o amor que apascenta,a humildade que traz evolução.Entendo que o outro não é superficial nem efêmero,ele me diz respeito.
É tempo de crescer juntos e os bens que preservo são o bom sono e a paz.Coisa claras,candura!
Os relógios que se fundem no pressentir de Dali,o alcance de Einstein na geometria do tempo.Os desafios a lei da gravidade na obra de Gaudi com sua colunas invertidas.O poder dos artistas que brincando fazem-se revelar como se fosse fácil e de repente é fácil quando não é a lógica que conduz os atos mas o prazer,a entrega ao lúdico e a paixão por criar.Este Deus que nos habita
e como pai zeloso nos vê criar ,nos admira em nossos estados de graça e como pai amoroso vibra com nossas pequenas e infinitas conquistas.
A elegância serena do que não posso ver, nem tocar,mas esta presente na aura que a serenidade confere aos corpos.Quero este gravitar leve,sem pesar,trazendo da riqueza das conexões um diamante bruto que o tempo se encarregará de lapidar em fulgurante brilhante.Que nesse meu tempo de vida este meu jeito de sentir o estar em amor se traduza em amizade.
Livre para que as ideias me encontrem,para me abrir em novos encontros,em conexões ilimitadas,viva no universo, criando versos das palavras à toa que acorrem sem sentido,plenas em essência.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Querida Querubim--Quanto custa?
o alento da minha oração/"não posso esquecer o sabor da sua boca".Lips,lábios,palavras lindas...
lips,lábios.Combativa para ser feliz patino a vida na superfície do gelo e danço,danço Santana.Tempo lindo,aspecto de paraíso é este estar assim mordendo a pêra madura,macia.sem medo da tentação.O ritmo que se me apodera,um tipo de frenesi,incrível magia do corpo que me faz sentir solta,linda,arteira.Anjo,seguro meu coração entre as mãos para ser suave,acreditar nesta loucura.A língua passa de leve para humedecer os lábios.O quadro de copos de leite.O acorde sujo,dissonante.Adoro voz de homem sussurrando no meu ouvido.Adoro ouvir.E dar o corpo à pegada que diz-"diz que estou vivendo".Amor se faz com calma e mãos fortes.
Sigo as emoções,é o pecado que não sinto,trago à flor da pele o papel forte do amor na verdade que arrepia quando não se contem.Aflora,sempre, do meu íntimo esta moça rebelde e entende de escrever a vida como bem entende,surge em intensidade sensual e mística.Toda viagem uma lição de vida.-Tudo é breve neste meu estilo enfático.O sentimento de estar junto e separada.Tenho muito a dizer mas nem sempre a quem dizer.Silêncios e subentendidos.ele evita falar,penso que é para não fazer perguntas.Meus artifícios,me protejo melhor porque digo a verdade.A estranheza do otimismo retardado me incomoda,esta tendência tudo bem,bem mentirosa.A vida é dura.Senão nem seria Querubim!...e ser mulher,então,buscando a leveza da alma e estar com tudo em cima no corpo sarado martiriza.Viola o direito básico de ser naturalmente feliz.Quanto truque,quanta armadilha sorrateira nas mulheres plasmadas a frio para mentir nos outdoors.A coragem é que acorda meus suspiros.Vivo à parte,no mundo da sensibilidade mas é dramático quando a insegurança bate à porta e me condena a abandonar as delirantes fantasias para sair com urgência e todos os dias em busca do dinheiro para manter o clima,a casa,o cão,a beleza,o espírito que se alimenta de música,arte,livros,aromas,sabores,viagens.A falta de dinheiro obriga-me a abandonar a delicadeza e voltar-me ao instinto.
_Quanto custa?
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Querida Querubim-O caminho
Não existe um caminho.Ir,ir sempre.Impossível voltar pelo mesmo caminho.Que se cumpra chegar onde devo.Paisagens são paragens do olhar,efervescências como a vitamina C na água transparente.Passam.Paixão é esta fricção da alma com o mundo que me cerca.Acredito em mim.Ir é ter fé,mesmo que indefesa como uma criança.A viagem me torna adaptável às circunstâncias,maleável e receptiva.É vida.Tenra,com a frescura do ser,os olhos brilhantes pelo prazer das novidades,pelas surpresas.Atenta e flexível para contornar os riscos e desafios.Viajar é vencer a vida nos próprios passos.
-Por onde vou se me distraio em brincar pelo caminho?A paisagem se altera a cada minuto.Luz e sombra,o passar do vento,a um tempo a brisa,os pássaros que riscam o céu.Tudo é trânsito,tudo muda,a paisagem aparece em um sol abrasador e se oculta em uma noite tenebrosa.Caminho transformista.Mergulho nas profundezas psicológicas.Nem sempre o relato das viagens é o contemplar da paisagem.Passo pelas pessoas,as muitas pessoas que encontro por aí , das quais me faço delas e a elas dou um pouco de mim.Passo enquanto elas permanecem em seus próprios mundos que conheci na tangência de turista.Sou toda os outros,vigília aberta para não me perder de mim.Na ausência das datas e dos beijos que me servem sou saudade,amor,oásis no deserto.
-O que existe no fundo dos mares e do oceano?
Passo por cidades esquecidas por Deus,lugares sem nome,pessoas em cujo rosto leio histórias,animais cativos em pastos e quintais.Rumor de cachoeira,auto estrada,avenidas em horário do rush.Rumor no quarto ao lado do hotel duas estrelas onde um homem ofega no ritmo do prazer de uma mulher.Rumor de idiomas diversos nas Tvs de bares,cafés,albergues,hotéis de luxo.
Escrevo para me entreter,escrevo por que duvido de mim.Através da escrita me reconheço.É como se ao me escrever eu criasse o espelho das minhas perplexidades.Escrever é o meu caminho.O fio que me conduz é a tinta da caneta.Visível em azul escuro ou preto como um rio que brilha em noite de lua cheia.Escrever é o meu valor.Criar é o exercício da verdadeira arte altruísta.Pensar para aprender o sentido da vida -o provisório sentido da vida,uma marca que caminha e vai mudando de lugar,se estica.O sentido da vida é ser longe para se encontrar,um elástico flexível que alonga-se para buscar a cor do texto nos horizontes da estrada.
A poeira que o vento levanta até onde o olhar alcança.O rumor do vento em fúria de tempestade.Flores e folhas se esparramam cíclicas,tudo sai de seus lugares.
Os peixes na peneira,a lama do fundo dos lagos,os restos dos homens livres.A sardinha assada na brasa à moda portuguesa é lembrança.Seria mais fácil se eu não pensasse.O apetite após longa caminhada,passos de ver vitrinas.Olhos de encanto .Comer é pausa,expressão da querência de saborear.
Passa o tempo e nem percebo.-Será que assim não envelheço?
Ninguém pergunta se estou triste ou feliz.Aos que viajam as perguntas são sobre lugares:de onde viemos e para onde vamos.
O altruísmo da arte,a música que chega de todos os lugares penetra na minha alma e segue comigo companheira de viagem.E me concilia a outros a outras,agita meu corpo que dança mesmo que ninguém perceba.Tudo tem um sentido.E me olho com o excesso de bagagem.E me olho com as palavras que vou deixando pelo caminho.Viagem é perda,desapego,leveza, passatempo.Em companhia do vazio o compasso da realidade inconclusa,o despertar da confiança na afeição.Amar na soleira melancólica do olhar sem corpo rente para tocar,abandonando amanhãs na maviosidade aberta do verbo amar.
Assim vou achando caminhos.
O eco do grito entre as montanhas.
O túnel claustrofóbico,o jeito infantil de cobrir a cabeça para ficar segura e não ser descoberta.O frio da passagem pelo túnel escuro.Água pinga em enchovia.Túnel húmido,abafado,condutor de medos.A travessia .Águas estagnadas.Percursos sombrios.
Tenho sorte minha alma anseia por luz.
Assim vou deixando caminhos para trás.Sou só eu no dia seguinte.No momento seguinte.
Aproveito a sensação de não ter pressa nenhuma.Os momentos em que não preciso dizer nada.As noites em que recordo toda a vida.A bondade que encontro na infância,o gosto por um elogio sincero,o beijo de minha mãe antes de dormir,as leituras com meu pai.
Tenho sorte eles me fizeram acreditar.Acreditar que posso.
E posso.
Faz parte da minha natureza saborear a vida com esperança e o que não sei invento.E posso.
Viajar tem gosto de para sempre.
Agora chove,chove torrencialmente,a água lava os caminhos.
E tem coisa que só Deus sabe.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Querida Querubim-...desejo voyer do meu amante...
Y porque amor no es aureola
Ni candida morajela
Y por que somos pareja
Que sabe que no esta sola
Te quiero en mi paraíso,
es decir que en mi país
la gente viva feliz
aunque no tenga permiso
Trecho do poema Te Quiero-Mário Benedetti
Escrevo a viagem para aguçar o desejo voyer de meu amante.Sou a própria paisagem que se movimenta e o convida a ir comigo,tecer desejo e saudade,criar a viagem da viagem com os meus sentidos entregues ao dele,ir além das fotografias.Ser a voz ao telefone.Cruzar a vida mesmo à distância.Guardar o sentimento de ausência.Como é difícil explicar o que se passa em meu coração.-E por que explicar?
Este homem me toca,me faz querer estar junto.Gestos e atitudes que me levam longe,ele pensa em tudo,incentiva a minha escrita,me estimula a conquistar outros mundos,viajar disponível à vida.
É confortável sabê-lo à espera.Tenho sentimentos ambivalentes de razão e sensibilidade.Aceito esta intimidade fugaz,este retrato com nuances de nós,um casal ímpar.Guardo sentimentos não expressos,não os esqueço,ficam para mais tarde.Todas as palavras que não disse,tudo guardado até o momento que espalharei fotos e conversa pela cama,chegarei com todas as novidades.
E assim caminho atravessando continentes,cruzando fronteiras,me regalando com o sabor de cada terra,livre inclusive para amar outras pessoas e desfrutar da gula com que me lanço a aventuras.
Escrevo sem parar.Tudo é vivo,pauta de deslumbramento,êxtases solitários,reflexão,silêncio intimista,ais de prazer não compartilhados.Adoro a minha companhia,desmedida,excessiva em malabarismos estratégicos de sobrevivência e criatividade.Tenho fome de livros,livrarias, cinemas,teatros,praias,cafés,conversa sem tempo para terminar.A beleza me comove a grandeza de ter por tesouro os guardados do que vi,ouvi e me encantei.
Totalmente solta ao acaso dos dias,entregue a Providência,ao divino sol de cada dia.Sempre tem,frutas ,queijos,pães e vinho.O sapato de estilo,o guarda roupa de elegância despojada,a bagagem chique,as músicas que compoem a trilha da viagem,a coreografia dos passos na dança dos caminhos.É tão curta a vida ,deixo-me viver.Ele deixa-me viver e não me julga,por isso sei que me ama.Acontece às vezes de eu me ver de bobeira sentindo falta do ciúmes que ele não demonstra.Confiante,seguro da posição de ganhador,ele me deixa ir .E vou...
O capital de afeto transborda nesta dedicação de conhecer e conquistar pessoas. Atraio companhias interessantes,os amigos me hospedam em suas casas,servida com roteiros incríveis e gentilezas.Disposta a sustos,movida a fascínios,faço parte de um mundo que se faz novo a todo dia.Sou paixão,um fósforo aceso se consumindo em combustão natural.
Feliz quando saio,feliz quando retorno e chego nova ,louca de saudade do meu canto,da família,
dos amigos.Do meu quarto.
E êle a espera.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Audrey&Grace-Camarim do Oscar-1956-Musas que inspiram a criação da Querida Querubim

Era ainda pequena,entre menina e adolescente,usava sainha pregueada , blusinha de boucle azul clarinha e o primeiro sutiã meia taça com rendinhas.Audrey Hepburn me fascinava.Minha mãe me levava ao cinema todas as quartas -feira,na sessão das moças.Flutuava em volta do glamour das estrelas de cinema.Espectadora de princesa e rainhas,amava a Princesa Grace Kelly.Eu era tudo isso,a delicadeza,os vestidos esvoaçantes,o perfume em gotas no lóbulo da orelha e no pulso,lugares quentes.E ainda tudo permanece vivo e me surpreende,o filme Bonequinha de Luxo,a trilha sonora de Henry Mancini -Moon River.Essas lembranças inspiram a existência da Querida Querubim , sua elegância e estilo.